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BATALHÃO DE CAÇADORES N.º 5

RELATÓRIO DAS OCORRÊNCIAS RELATIVAS AO MOVIMENTO DO «25 DE ABRIL»

1. DESCRIÇÃO CRONOLÓGICA DOS ACONTECIMENTOS
a. Acções Preliminares
- Após a reunião dos delegados das Unidades do GML de 2O/Abril/74,em que foi anunciado o desencadear próximo da acção e uma atribuição prévia de missões, efectuaram-se os necessários reconhecimentos pelos 3 elementos do S.C. 5 já aderentes ao Movimento e aceleraram-se os preparativos.
- As missões atribuídas eram:
- Segurança dos Estúdios do R.C.P.
- Isolamento do Quartel da G.N.R. no Carmo.
(1) No dia 28 Abril 74, ainda o cor. Craveiro Lopes queria reunir carros de combate do R. Cavo 4, para marchar sobre Lisboa.
- Invocando a proximidade do 1º de Maio tomaram-se várias medidas relativas ao estado de prontidão das Companhias Operacionais visando a organização, armamento e municiamento, diminuição do tempo de intervenção, etc.
Entretanto preparou-se detalhadamente o plano de acção para o dia D.
- Cerca das 9.30 horas do dia 24 de Abril, o signatário era contactado pelo Oficial de ligação (Capitão Santa Clara) sendo-lhe fornecidos todos os elementos para a acção a desencadear-se na madrugada de 25 de Abril.
- Uma das Missões previamente atribuídas sofreu alteração deixando o B.C. 5 de Intervir na área do Carmo e passando a Incumbir-lhe a ocupação do Quartel da G.N.R.
b. Preparativos finais
- Dado conhecimento aos Capitães Camilo e Beatriz dos documentos operacionais recebidos.
- Contactado o Oficial Miliciano (Alferes Batista) escolhido para servir de elemento de ligação com os restantes elementos com vista à escolha do núcleo de Oficiais de confiança para enquadramento das Companhias Operacionais e Missões Especiais no Quartel.
A partir das Informações colhidas, contactados mais três Oficiais (Alf. Lopes, Frazão e Asp. Teixeira).
Nestes contactos não se referenciava a data/hora da acção.
- Efectuados preparativos diversos nomeadamente formaturas das Companhias Operacionais para acertos finais.
- Da tarde informado o Ten. Mascarenhas (CMDT da 2.ª Comp.ª Operacional) (e considerado elemento de confiança) da data/hora da acção sendo assim o único elemento até ar alheio ao movimento com aquele conhecimento. Marcada uma reunião dos Oficiais julgados de confiança para essa noite.
- Às 22.55 é ouvido o sinal de Rádio Graça previamente combinado.
- Em 24/2 reunidos os 30 Oficiais que constituíam o núcleo seleccionado e outros
Oficiais presentes na Unidade são-lhes por mim comunicados os objectivos do movimento e elementos de interesse para a sua informação. Convidados a aderir fazem-no sem hesitação e na sua totalidade. São mandados equipar e armar.
- A partir das 23.30 horas tomam-se as primeiras medidas nomeadamente o contacto da Central Telefónica por um Oficial e o dos Portões e Segurança por outro Oficial.
- Às 00.15 horas são reunidos todos os Sargentos e Cabos Milicianos presentes na Unidade. Informados de forma idêntica à da reunião de Oficiais aderem também sem excepção e são encaminhados para se juntarem aos oficiais das respectivas Companhias.
-É ouvido na Rádio Renascença o 2º sinal que tem efeitos psicológicos muito favoráveis em todo o pessoal.
- Às 01.45 os graduados acordam e mandam formar as Praças da forma mais discreta passível com vista a evitar. o alerta das forças da G.N.R. na Penitenciária.
c. Desenrolar de Acção.
- Às 03.00 h. as 2 Companhias Operacionais Iniciam a marcha apeada e saem pelo Portão do Marquês da Fronteira, dirigindo-se aos respectivos objectivos.
- À mesma hora e com efectivos da Formação e Companhia de Instrução o Capitão
Camilo encarregado da defesa do Quartel, reforça a Segurança já montada e faz sair ou prepara os Destacamentos destinados a garantir no exterior a Segurança do aquartelamento e que são:
- Destacamento de isolamento da Penitenciária.
- Destacamento do Alto do Parque Eduardo VII.
- Destacamento das encostas da Praça de Espanha e de Campolide.
- Às 03.30 horas são abordados os objectivos. A 1.ª C.ª Operacional sob o Comando do Capitão Beatriz Inicia o cerco e instalação em redor do Q.G./R.M.L. e a 2ª C.ª Operacional sob o Comando do Tenente Mascarenhas, isola e assegura a protecção da área dos estúdios do R.C.P. Em ambas as áreas são barricados acessos com viaturas particulares. Desloca-se inicialmente com a 2." C." Operacional.
- Estabeleço contacto com os elementos das F.A. que à mesma hora fazem a sua entrada nos estúdios do R.C.P., sendo-me comunicado que tudo decorre segundo as previsões. Desloca-se seguidamente para junto da 1ª- C.ª Operacional cerca das 00.30 horas.
- Pouco depois das 03.30 h. procede-se à parlamentação oom os defensores do O.G./C.M.L. iniciada pelos Aspirantes Sajara e Teixeira e concluída .pelo Capitão Beatriz.
- Cerca das 04.00 h. uma força do pelotão marcha para garantir a segurança da resIdência do nosso General Spínola.
- Cerca das 04.30 h. sem que o CMDT da defesa do Ouartel-General tomasse Qualquer decisão mas verificada a renúncia por parte das praças (pelo menos da sua maioria) a uma defesa armada a 1ª C.ª Op. força os portões do Ouartel e faz a sua ocupação.
- Cerca das 06.50/07.00 h uma força da P.M. contacta o perímetro da Defesa. Retira em direcção à Praça de Espanha após diálogo do seu Comandante (Ten. Revasos) com o Capitão Beatriz.
- Cerca das 07.30/08.00 h. é Interceptado pela 2.- C.- Op. o Ten.-Coronel Vinhas CMDT interino do B.C. 5 que mais tarde recolherá à Pontinha.
- Cerca das 09.00h. é por mif'!l Interceptado frente ao O.G./R.M.L o Brigadeiro Serrano que pretendia contactar o General CMDT e recolhe ao B.C. 5 depois de consultado o P.C. por mim.
- Cerca das 11.00 h. são interceptados no O.M.P. o General Louro de Sousa e Brigadeiro Jaime Silvério Marques Que recolhem ao B.C. 5 depois de consulta ao P.C.

2. ACTUAÇÃO DOS COMANDANTES
- Coronel Firmelindo Coutinho David
Encontrava-se de licença na sua residência em Lisboa à data do Movimento. Não foi contactado mas não se considerava propriamente opositor decidido embora não 8e contasse também com a sua adesão prévia.
Na tarde de 25 de Abril a seu pedido contactei-o telefonicamente. Pretendia vir ao Quartel buscar o seu carro particular que aqui se encontrava. Informei-o da situação particular do B.C. 5 e geral - tanto quanto era conhecida - e do prazer com Que víamos a sua adesão. Respondeu que Iria pensar pois se tratava de assunto muito grave.
A sua apresentação verificou-se a 27 de Abril pelo Que consultei o P.C. que me ordenou a sua detenção posteriormente transformada em apresentação à ordem do O.G./G.M.L.
Trata-se de um Oficial com grande simpatia entre os Oficiais. Sargentos e Praças que viam com bons olhos a sua continuação no Comando da Unidade. apesar da passividade demonstrada. julgada mais consequência da sua natureza pacífica do que dum assumir de posição. Este facto foi comunicado ao General Comandante do G.M.L.
- Tenente-Coronel António Charão Vinhas
Não foi contactado previamente por ter assumido uma posição activa (na aparência pelo menos) de oposição ao Movimento das Caldas e porque abordado em conversas de âmbito geral denunciava pouca apetência para aceitar transformações políticas.
Na manhã de 25 de Abril foi interceptado por elementos do Batalhão junto das instalações do R.C.P. onde recolheu manifestando vontade de falar comigo. Desloquei-me ali informando-o da situação que na altura já se anunciava favorável e de que teria o maior prazer em lhe entregar o Comando caso aderisse e depois de obter para isso autorização do P .C. Não respondeu e tendo assuntos a tratar retirei-me depois de o aconselhar a reflectir no sentido de me comunicar a aderência quando ali voltasse. Com intervalos voltei à sua presença duas vezes sem que ele se pronunciasse. Recebida ordem para o deslocar sob prisão para o P.C. mandei proceder dessa forma.

3. COMPORTAMENTO E ACTIVIDADE DOS QUADROS
Acima de tudo há que destacar a actuação dos 2 Capitães do O.P. - Capitães Bicho Beatriz e Lopes Camilo - elementos que à data da minha chegada ao Batalhão Já se encontravam ligados à actividade do Movimento. desde os seus primórdios aliás e com um 3.° elemento - Capitão Ribeiro da Silva - transferido após a ocorrência das Caldas, para a Madeira.
Aqueles 2 Capitães não s6 tomaram parte muito activa na fase Inicial do Movimento como nos seus preparativos finais e ainda conduziram a acção na parte respectiva de forma multo decidida. Foram efectivamente os motores que permitiram ao B.C. 5 sair com prontidão e eficácia.
Pelas sondagens efectuadas admitia-se a aderência fácil da maioria ou quase totalidade dos Oficiais Milicianos. Por razões de Segurança, s6 se Iniciaram alguns contactos mais directos no próprio dia 24 e mesmo assim sem indicação concreta da data/hora H, com excepção do Ten. Mascarenhas. CMDT duma Cª Op., considerado de muita confiança, o que ficou informado na tarde desse dia. Na reunião efectuada todavia a aderência de todos os presentes foi total e sem restrições. Saíram para a rua com entusiasmo e determinação.
Embora se contasse com a adesão de muitos Sargentos e se considerasse a posição dos Cabos Mil. semelhante à dos Oficiais do O.C. supunha-se que ela seria menos fácil. A verdade é que apesar do elevado número de elementos reunidos a reacção foi afinal de unanimidade total na adesão e depois da exposição que lhes efectuei. Apenas foram necessários alguns esclarecimentos para que contássemos da sua parte com o mesmo entusiasmo e determinação dos Oficiais.

4. POPULAÇOES LOCAIS
Dificilmente haverá palavras para exprimir a amplitude e força de adesão popular ao Movimento das Forças Armadas. As atitudes de simpatia. aplauso e cooperação foram constantes quase desde as primeiras horas e manifestaram-se em sorrisos. em aplausos, Incitamentos, ofertas de toda a natureza, etc. Julgo desnecessário referir tudo quanto é do conhecimento geral e basta dizer que as Forças que este Batalhão manteve ou deslocou para o exterior, foram alimentadas e obsequiadas de tal forma que, raramente, os seus elementos vinham receber rancho à viatura que o transportava às posições.

5. ACTUAÇAO DAS FORÇAS E INDIVIDUALIDADES GOVERNAMENTAIS
- Após a saída das Forças do Quartel, o Comandante da Guarda da Penitenciária (G.N.R.) contactou o CMDT da Força postada frente às saídas, e posteriormente contactou-me a mim, para declarar que a sua única missão era guardar presos.
- A guarnição do OG/G.M.L. reagiu formando o piquete e ocupando posições quando as Nossas Forças já se encontravam a instalar a toda a volta nos acessos e posições escolhidas.
Foram enviados elementos a parlamentar e o próprio CMDT da Força (Capitão Beatriz) se deslocou à frente para tentar convencer o Comandante da defesa (Asp. Silva, Oficial-de-Dia) a permitir a entrada sem ser pela força. Tal não foi conseguido nem mesmo chegar-se à fala com o referido Aspirante. O diálogo travado com os defensores acabou por resultar por terem as Praças abandonado as posições e recolhido as armas. As Nossas Forças forçaram os portões, não depararam com qualquer resistência e o referido Asp. Silva foi encontrado junto do telefone aparentemente em estado de pânico. O outro Aspirante presente no Quartel (Cunha) tinha entretanto retirado os galões para não ser reconhecido como tal.
- Entre as 6,30 e 7 horas abordou o perímetro defensivo em redor do OG/GML uma força do F.M. comandada pelo Ten. Revasco. Este Oficial deslocou-se aos portões do OG para contactar o Capitão B. Beatriz. Não sabia a contra-senha mas declarou pertencer ao Movimento, constando efectivamente da lista de entidades. Embora comandasse uma força que tinha sido mandada ocupar o G.M.L. para assegurar a entrada do General Comandante, Informou o Capitão Beatriz que se ia retirar para a Praça de Espanha e informar que não podia cumprir a missão.
- Após a saída das Forças tentaram contactar telefonicamente a unidade:
Coronel Duque (CEM/GML); Brigadeiro Joaquim dos Reis; Ten-Cor. Vinhas (CMDT Int. do BC 5); Coronel Coutinho David (CMDT BC 5).
Todas as chamadas foram desligadas com excepção de uma efectuada pelo Cor. Duque que tentou informar-se da situação e dialogar com o Capo Camilo.
Sabe-se que o Coronel Duque manteve ligação com o Oficial-de-Dia 80 QG Incitando-o à defesa e julga-se que entre outras medidas, alertou o CMDT e CMDT Int.
- Ao longo do dia 25 foram interceptados cerca de 120 elementos do P.S.P., alguns da D.G.S. e L.P. Nenhum deles ofereceu resistência quando da sua detenção e desarmamento. Apenas um (Comandante de Lança da L.P. Canavarro) denunciou mentalização multo prounciada.

O COMANDANTE INTERINO
José Cardoso Fontão
Major de Inf.ª



FITA DO TEMPO (24/25), DO B. CAÇ. 5

9.30 h. - Recepção de ordem.
10.00 h. - Reuniões com os Capitães; Remodelação dos Planos; Preparação de acção e seus preliminares; Escolha de Cmdt da 2." Companhia.
10.30 h. - Início dos contactos com os Oficiais Milicianos escolhidos e a escolher (abordagem e preparação prévia).
14.00 h. - Formatura das Companhias Operacionais a pretexto de proximidade 1.° de Maio; Marcação de uma reunião de Oficiais para as 23 h. (elementos contactados e conhecimento da finalidade).
17.00 h. - Medidas de decepção. Saídas normais, etc.
22.55 h. - Audição dos Emissores Associados. Comunicação: Faltam 5 min. para as 23 h. e disco «Depois do Adeus» do P. Carvalho.
23.00 h. - Sala dos Oficiais; Reuniões dos Oficiais convocados e outros presentes na Unidade para informá-los. Breve a detenção de não aderentes, Preparação e ordem.
00.00 h. - Início da audição de R. Renascença. Aguardar o -Grândola.
01.00 h. - Oficial e Guarda para a Central Telefónica (Alf. FRAZAO); Fechar portões, eliminar central; Guardar outros telefones gabinetes; Substituição Oficial-de-Dia pelo Alt. BAPTlSTA com missões definidas; Ouvir R. C. P.
01.30 h. - Convocação Sargentos (de dia e de na unidade). Informá-los. Breves detenções; Vigilância proximidades quartéis.
01.45 h. - Formar Companhias. levantar o pessoal das camas sem luzes e sem barulho;
Formatura desconfiada da Polícia Aérea; Armas e munições; Rádios. Maqueiros, etc.
02.00 h. - Vigilância da Penitenciária.
02.30 h. - Reforço do Portão M. Fronteira.
02.50 h. - Início de marcha apeada das 1." e 2." Companhias Operacionais; Concentração de viaturas para apoio de acção; Reforço da segurança do quartel; Destacamentos para o exterior.
03.00 h. - Redes Rádios no ar.
03.05 h. - Saída para os objectivos; Convocação do pessoal no exterior; Reforço das forças no exterior com a chegada de novo pessoal; Preparar Remuniciamento e Abastecimento.
03.20 h. - Completamento do cerco na área dos estúdios R.C.P. Intercepção do trânsito e
movimentos na área.
03.30 h. - Completamento do cerco ao O. G. da R. M. L. e Início de parlamentação. 04.00 h. - Saída duma força para a Residência General Spínola.
04.30 h. - Entrada e ocupação do O.G.R.M.L.

BATALHÃO DE CAÇADORES Nº 5
RELATÓRIO DOS PRELIMINARES DO MOVIMENTO DE 25 DE ABRIL

(Aditamento ao Relatório do Movimento)
- Os Capitães do Q.P. (Infantaria) do Batalhão de Caçadores N. 5 (Camilo, Bicho Beatriz e Ribeiro da Silva) Incorporaram-se desde os seus primórdios no Movimento de Oficiais que veio a culminar com o 25 de Abril e duma forma geral acompanharam todas as reuniões efectuadas na Metrópole.
- O signatário, encontrando-se na R.M.A., logo que o Movimento se tornou extensivo a outros postos, incorporou-se nas reuniões e velo a fazer parte da comissão de Angola. Apresentou-se no S.C. 5 em Fevereiro de 1974. Através dos Capitães do B.C. 5, Incorporou-se no movimento da Metrópole.
- No dia 10 de Março, depois de ser conhecida a transferência do S.C. 5 para o C.T.1. da Madeira do Capitão Ribeiro da Silva, o signatário com os Capitães Camilo e Beatrlz dirigiu-se ao Gabinete do Comandante da Unidade manifestando a sua solidariedade com os Oficiais que impediram a sua marcha e pedindo que tal atitude fosse comunicada superiormente.
- Os acontecimentos de 14 e 15 de Março, indignaram os Oficiais do B.C. 5 que ficaram decididos e desejosos para uma tomada de atitude que entendiam no entanto dever ser tomada no âmbito do Movimento que, segundo a sua consciência, já tomara suficiente amplitude para chegar às últimas consequências e não se limitar a um desagravo. A partir dessa altura deixaram de existir dúvidas, se é que ainda existiam, quanto à disposição dos Oficiais do B.C. 5 para tomarem parte numa acção de força, deixando de haver qualquer questão de decisão mas, única e exclusivamente, de ocasião.
- Em 15 de Março cerca das 24 horas compareceram na minha residência os Capitães Camilo e Beatriz informando-me que, tendo procurado o contacto de elementos do movimento, por lhes constar que havia acontecimentos em Unidades do Norte, receberam (designadamente do Major Monge) Indicações pouco precisas sobre esses acontecimentos e previsão da saída de Unidades. Quanto ao B.C. 5 foi expressamente dito para recolhermos a quartéis aguardando ordens. De notar que as indicações foram dadas apressadamente sem indicação de finalidades imediatas ou futuras, objectivos, personalidades contactadas ou a contactar, etc.
- Ainda na minha residência fizemos as deliberações prévias que a situação vaga e indefinida permitia, ficando acordada a minha Ida imediata ao quartel. para auscultar a situação, enquanto os capitães aguardariam no exterior um contacto telefónico.
- Chegado ao quartel encontrei-o já na situação de prevenção rigorosa, sob as ordens directas do Comandante efectivo, nada se sabendo de concreto sobre a situação a não ser que tinha constado haver uma sublevação do B.C. 5, facto que motivara um telefonema do Ministro da Defesa para o Coronel Coutinho David que conhecia pessoalmente, para esclarecer a situação.
- Mandei recolher os Capitães ao quartel onde resolvemos aguardar um melhor esclarecimento da situação ou ordens concretas do Movimento, tanto mais que havia notícias contraditórias e infundadas.
- Ao saber-se por via Oficial (não confirmada nem esclarecida) dum movimento a partir das Caldas da Rainha novamente se deliberou sobre a atitude a assumir. Pensando-se que outras Unidades próximas teriam de assumir posição não pareceu oportuno que, desde logo, o fizéssemos, tanto mais que, desde uma saída em falso a notícias também falsas, tudo poderia estar a acontecer. No entanto, decidiu-se aderir ao Movimento logo que houvesse conhecimento que o R.1. 5 era acompanhado por outra Unidade significativa.
- Já de madrugada confirma-se o movimento a partir das Caldas da Rainha e é recebida ordem para uma Companhia do. B.C. 5 cooperar na intercepção.
- Deliberei com o Capitão Beatriz comandante da referida Companhia que ele sairia com meios Rádio que nos mantivessem informados da situação e que iria preparada para aderir ao movimento em curso.
- Pouco depois é-me comunicado pelo Capitão Beatrlz que o Major Vinhas, cuja posição em relação ao Movimento não era conhecida, iria a seu pedido, sair com a Companhia.
Tentei demover o referido Major e o Comandante da Unidade procurando substituí-Ia na sarda o que não consegui. Decidi com o Capitão Beatriz que se manteriam as intenções mesmo que fosse necessária a prisão do Major Vinhas.
- A Companhia saiu do quartel sem que se tenha chegado ao contacto com a força revoltosa ou se criassem condições para a aderência, havendo no entanto da parte do Major Vinhas uma participação muito activa que levou a duvidar da possibilidade duma sua futura adesão ao Movimento.
- Continuamos no decorrer desse dia, e mesmo nos dias seguintes, sem um conhecimento esclarecedor da situação. A apresentação no B.C. 5 do Ten. Cor. Bruno e sua prisão que nos causou muita indignação não nos proporcionou todavia o esclarecimento do que se tinha passado e estava a passar.
- Logo que nos foi poss ível procuramos estabelecer contacto com o Movimento dando conhecimento de que estávamos dispostos a assumir qualquer atitude de defesa e solidariedade com os Militares detidos a não ser que alguma atitude mais fundamental estivesse em preparação. Sendo-nos garantida esta última, adoptamos um comportamento adequado de serenidade e expectativa até ao início da preparação do Movimento do 25 de Abril, precedido duma conveniente elucidação, preparação. definição de objectivos, etc.

O COMANDANTE INTERINO
José Cardoso Fontão Major de Inf.
 

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25 de Julho de 2014
 

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