Forças Armadas. Legislação Estado Novo.
Decreto-Lei 353/73, aprovado por Sá Viana Rebelo, ministro do Exército, que procurava fazer face à escassez de capitães dos quadros permanentes.
Funcionou como verdadeiro detonador para a contestação que, após rápida e profunda evolução, levaria ao 25 de Abril de 1974.
Reunião Casa Diniz de Almeida,
Presentes Ponces de Carvalho, Sousa e Castro, Bicho Beatriz, Vasco Lourenço, Rosário Simões, Marques Júnior, Carlos Camilo e Diniz de Almeida. Ultimam-se preparativos para uma reunião alargada em Évora.
1973 September, 7
Conselho Superior do Exército.
Reunião do Conselho Superior do Exército para debate do problema dos capitães. Só o CEMGFA, general Costa Gomes, argumenta a favor da revisão dos decretos.
1973 September, 26
Ligação à Marinha
São iniciados os primeiros contactos com a Marinha. O Cap.Ten. Costa Correia será o primeiro representante.
A partir daqui haverá um relacionamento estreito. Os contactos regulares ficarão a cargo de Costa Correia e Almada Contreiras pela Marinha e a cargo dos Majores Hugo dos Santos e Victor Alves pelo Exército. O Movimento na Marinha ainda designa para a ligação o 1.º Ten. Vidal Pinho e o 2.º Ten. Pedro Lauret. Mais tarde irá juntar-se a este grupo o Cap.Ten. Vítor Crespo.
1973 October, 1
Movimento dos Capitães. Reuniões.
Reunião quadripartida do Movimento nas casas dos Capitães Rui Rodrigues, Mendonça Frazão, Ribeiro da Silva e Diniz de Almeida. Estão presentes delegados da quase totalidade das unidades e estabelecimentos militares, bem como da oficialidade em serviço em Angola, Moçambique e Guiné. Presentes ainda, pela primeira vez e como observadores, representantes da Marinha e da Força Aérea.
Pela Marinha estão presentes o Costa Correia, Almada Contreiras, Vidal Pinho, Pedro Lauret.
A discussão arrasta-se durante toda a noite e madrugada, com grande número de intervenções, perante as quatro alternativas então apresentadas:
I. Pedir colectivamente a demissão de oficial do Exército.
2. Ausentar-se do Serviço, mantendo-se fora do aquartelamento.
3. Permanecer no Quartel ou Estabelecimento sem desempenhar quaisquer funções.
4. Fazer, colectivamente, uso da força.
Tendo vencido a primeira alternativa, redigem-se dois documentos sem data (um apresentado colectivamente e outro individualmente), entregues à Comissão do Movimento que os guardaria com vista a posterior utilização, o que nunca se verificou visto que os decretos não entraram em vigor. É elaborado um boletim informativo pela Comissão do Movimento.
1973 October, 6
Forças Armadas. Legislação Estado Novo.
É enviada, pela 1.ª a Repartição do Estado-maior do Exército, a todas as unidades, uma circular anunciando a decisão de estudar caso a caso a situação dos oficiais abrangidos pelos decretos, o que, na prática, representa a sua suspensão.
1973 October, 12
Movimento dos Capitães.
Reunião da Comissão Coordenadora em casa de Mariz Fernandes. Manifestam-se os primeiros atritos no seio da Comissão e discute-se uma longa agenda de trabalhos. Foi aprovado um regulamento da mesa que seria utilizado nas reuniões do Movimento, assim como um carimbo que tinha como símbolo o Templo de Diana, em Évora.
1973 November, 6
Movimento dos Capitães.
Reunião do Movimento dos Capitães, em que se acentua o conflito existente no seu interior.
1973 November, 10
Legislação Militar.
O Diário do Governo publica quatro decretos relacionados com as Forças Armadas. O primeiro cria o cargo de vice-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, especialmente destinado a António de Spínola. Os três restantes visam interferir nas carreiras militares, de forma a corrigir os decretos n°s 353/73 e 409/73.