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    [De 1973-01-01 a 1974-04-24]
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Católicos Progressitas.
Mantém-se a vigília e a grevo de fome pela Paz que um grupo de católicos iniciara em 30 de Dezembro e que logo nesse dia fora duramente reprimida, quando uma força da polícia de choque, comandada pelo capitão Maltez Soares, entra na Capela do Rato prende setenta pessoas, entre as quais se contam destacadas figuras da oposição.


1973 
Janeiro, 1 
 

 
Eleições para a Assembleia Nacional.
No decorrer de todo o ano de 1973 foi lançada uma campanha de recenseamento eleitoral para as eleições para a Assembleia Nacional. Foram criadas comissões pró-recenseamento quer anível local quer por dinamização sindical e outras.


1973 
Janeiro, 1 
 

 
Imprensa Clandestina.
Editado o n.º 449 do Avante! (PCP) Guerra Colonial. Lei de Meios para 1973.


1973 
Janeiro, 1 
 

 
Movimentações Laborais no mês de Janeiro.
Lutas dos pescadores de Matosinhos, Aveiro e Figueira da Foz. Inúmeras reuniões de assembleias sindicais dos Bancários em Lisboa, Porto e Coimbra. Em 4 de Janeiro desfile de centenas de trabalhadores Bancários pela baixa de Lisboa. Noticiado no Avante no. 450 de Fevereiro de 1973


1973 
Janeiro, 1 
 

 
Católicos Progressitas.
Em consequência da vigília pela Paz e dos acontecimentos na Capela do Rato, doze funcionários públicos são exonerados por decisão do Conselho de Ministros, entre os quais Francisco Pereira de Moura e Luís Moita.


1973 
Janeiro, 2 
 

 
Imprensa. Semanário Expresso.
Surge o semanário Expresso, ligado à Ala Liberal da Assembleia Nacional. É seu director Francisco Pinto Balsemão.(Marcelismo)


1973 
Janeiro, 6 
 

 
Católicos Progressitas.
O Patriarcado emite uma nota em que condena quer a «Vigília da Capela do Rato» quer a repressão policial que se lhe seguiu. Mais tarde o Patriarca demite o Padre Alberto Neto, responsável pela Capela do Rato.


1973 
Janeiro, 10 
 

 
Fracturas no Regime.
Os deputados Francisco Sá Carneiro e Miller Guerra, da Ala Liberal, fazem uma primeira intervenção na Assembleia Nacional condenando a atitude das autoridades no Caso da Capela do Rato. (Marcelismo)


1973 
Janeiro, 16 
 

 
Lutas Estudantis.
Decreto-Lei 18/73. O ministro da Educação, Veiga Simão cria a categoria de vigilantes (gorilas) no quadro do pessoal auxiliar dos estabelecimentos de Ensino Superior. Este pessoal era destinado a reforçar o controlo policial sobre as actividades académicas. Inicia-se um processo de luta que junta alunos e professores, até que em Maio o Ministro da Educação cede e ordena a retirada dos vigilantes.


1973 
Janeiro, 17 
 

 
Movimentos Revolucionários.
A LUAR distribui um comunicado anunciando a prisão, em França, de Palma Inácio. Libertado no mês seguinte, a polícia francesa alega insuficiência de provas. (Luta Armada)


1973 
Janeiro, 17 
 

 
Movimentos de Libertação.
O líder do PAIGC, Amílcar Cabral, é assassinado em Conackry, num atentado levado a cabo por guineenses dissidentes do PAIGC. O governo português atribuiu a responsabilidade desta acção ao Presidente da Guiné-Conackry, Sekou Touré, enquanto que para o PAIGC se tratou de uma acção concebida pela PIDE/DGS ou pelo governador da Guiné, António de Spínola.


1973 
Janeiro, 20 
 

 
Fracturas no Regime.
Francisco Sá Carneiro renuncia ao seu mandato de deputado (Ala Liberal), afirmando: não poder prosseguir sem quebra da sua dignidade pessoal. Uma semana depois, alegando idênticas razões, demite-se Miller Guerra. Foi o último acto do fim da liberalização do Marcelismo.


1973 
Janeiro, 25 
 

 
Imprensa Clandestina.
Editado o n.º 450 do Avante!(PCP) Morte de Amílcar Cabral. Movimento Democrático. Movimentações laborais.


1973 
Fevereiro, 1 
 

 
Presos Políticos.
Editada e distribuida a Circular n.o 18 da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos - CNSPP


1973 
Fevereiro, 6 
 

 
Guerra Colonial . Guiné.
Primeira utilização de mísseis terra-ar "Strella" pelo PAIGC na Guiné, responsável pela queda de um avião Fiat G91


1973 
Fevereiro, 25 
 

 
Conversa em Família.
Marcelo Caetano. Conversa em familia. Conversa em familia Marcelo Caetano (Marcelismo)..


1973 
Março, 1 
 

 
Imprensa Clandestina.
Editado o n.º 451 do Avante!(PCP) Movimento Democrático. Luta Sindical. Campanha de recenseamento.


1973 
Março, 1 
 

 
Movimentações Laborais.
Luta na fábrica de papel da Abelheira encerrada em 15 de Janeiro, com cerca de 400 operários. Luta na fábrica de louças de alumínio Gialco que encerrou em meados de Fevereiro. Os pescadores de Matosinhos, Aveiro e Figueira da Foz, conseguem aumentos de ordenado e outras reivindicações após longa luta.


1973 
Março, 1 
 

 
Guerra Colonial. Guiné.
Carta de António de Spínola a Marcelo Caetano sobre a evolução da situação na Guiné e a necessidade de medidas de natureza política.


1973 
Março, 6 
 

 
Movimentos Revolucionários.
Em 9 e 10 de Março as Brigadas Revolucionárias (BR) levam a cabo acções de sabotagem, visando instalações militares de Lisboa: Distrito de Recrutamento e Mobilização (DRM) nº 1, Serviços do Quartel Mestre General e Serviços Mecanográficos do Exército. (Luta Armada)


1973 
Março, 9 
 

 
Movimentações Laborais.
Início de greve na MAGUE. Iniciam-se outras lutas em diversas empresas, nomedamente na CIMA e na CUF.


1973 
Março, 14 
 

 
Imprensa Clandestina.
Editado o n.º 452 do Avante! (PCP) Comunicado da Comissão Política do CC. Congresso Oposição Democrática. Guerra Colonial


1973 
Abril, 1 
 

 
Movimentação da Oposição.
É inaugurado em Aveiro o 3° Congresso da Oposição Democrática. Irá polongar-se até ao dia 8.


1973 
Abril, 4 
 

 
Movimentação da Oposição.
De 4 a 8 de Abril decorreram inúmeras sessões com larga participação.


1973 
Abril, 5 
 

 
Movimentos Revolucionários.
Assalto ao Serviço Cartográfico do Exército para roubo de cartas militares de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, destinadas aos movimentos de libertação. (Luta Armada)


1973 
Abril, 6 
 

 
Movimentos Revolucionários.
Novas acções das Brigadas Revolucionárias: rebentamento de petardos por todo o país e distribuição de comunicados incitando à greve no 1° de Maio. (Luta Armada)


1973 
Abril, 6 
 

 
Movimentação da Oposição. - Repressão.
No decorrer do 3.º Congresso da Oposição Democrática, Aveiro é palco de uma violenta carga policial sobre cerca de quinhentas pessoas que participam na romagem à campa de Mário Sacramento, prestigiado escritor e oposicionista ao regime.


1973 
Abril, 8 
 

 
Partidos Clandestinos.
Numa reunião da Acção Socialista Portuguesa (ASP), realizada perto de Bona, é fundado o Partido Socialista. Entre os fundadores encontram-se Mário Soares, Maria Barroso, Tito de Morais, Raul Rego, Rui Mateus, António Arnaut e Jorge Campinos.


1973 
Abril, 19 
 

 
Movimentos Laborais.
À semelhança de anos anteriores, e receando manifestações por altura do 1° de Maio, a Direcção Geral de Segurança (DGS) efectua dezenas de prisões.


1973 
Abril, 30 
 

 
Guerra Colonial . Guiné.
Em Maio de 1973 o PAIGC lança uma vasta operação em tenaz - Operação Amílcar Cabral - insidindo a Norte sobre Guidage e a Sul sobre Guileje e Gadamael.


1973 
Maio, 1 
 

 
Imprensa Clandestina.
Editado o n.º 453 do Avante!(PCP) Congresso da Oposição Democrática. Movimentações laborais. O 1.º de Maio. Lutas Estudantis.


1973 
Maio, 1 
 

 
Movimentações Laborais no mês de Maio.
Após longa luta os operários da fábrica de papel da Abelheira conseguem a satisfação de algumas reivindicações. Os pescadores da Costa Norte continuam a sua luta. Várias paralisações em várias empresas: Rabor, Oliva, Mague, Hipólito, Cabos de Ávila…


1973 
Maio, 1 
 

 
Movimentos Revolucionários.
As Brigadas Revolucionárias levam a cabo várias acções: atentados à bomba e destruição parcial do 4° e 5° pisos do Ministério das Corporações e Providência Social, em Lisboa. (Luta Armada)


1973 
Maio, 1 
 

 
Movimentos Revolucionários.
Em comunicado, a ARA - Acção Revolucionária Armada, com ligações ao PCP, suspende temporariamnete as suas acções, face à dimensão do movimento político então em curso no país. (Luta Armada)


1973 
Maio, 1 
 

 
Estado Novo. Partido Único.
Realiza-se o Congresso da Acção Nacional Popular (A.N.P.) em Tomar, no qual o vice-presidente da Comissão Central, Baltasar Rebelo de Sousa, falou do «pluralismo cívico», num momento em que o regime estava completamente fechado e o partido único mais esclerosado do que nunca e o mito da liberalização do Marcelismo desfeito. Este foi o primeiro acto de uma ampla campanha de plenários distritais da A.N.P.Faro, Coimbra, Leiria, Viana do Castelo, Braga, Setúbal, Beja) com o objectivo de preparar as últimas eleições da ditadura, que tiveram lugar em Outubro de 1973. (JSC)


1973 
Maio, 3 
 

 
Presos Políticos.
É divulgada a Circular n.º 19 da CNSPP. O aumento da repressão foi enorme desde o início do ano de 1973. As lutas laborais e estudantis, o Congresso da Oposição e o 1.º de Maio foram pretextos para a onda repressiva. Em Abril, entre muitos outros, são presos o cantor José Afonso e o Padre Mário de Oliveira. (PIDE/DGS)


1973 
Maio, 9 
 

 
Estado Novo.
De 1 a 3 de Junho realiza-se no Porto o « 1.º Congresso dos Combatentes do Ultramar». O poder político pretendia com este Congresso aprovar o conceito de que a solução para a Guerra Colonial era militar logo seria necessário reforçar o esforço de guerra. A contestação aos objectivos pretendidos deve ser considerado como o lançamento da conspiração que levou ao 25 de Abril.


1973 
Junho, 1 
 

 
Imprensa Clandestina.
Editado o n.º 454 do Avante!(PCP) Lutas nas empresas. Guerra Colonial. Situação na Guiné. Resistência nos quartéis.


1973 
Junho, 1 
 

 
Movimentações Laborais no mês de Junho.
Os bancários relizaram numerosos plenários para defesa do CCTe contra a decisão tomada pelo Tribunal Arbitral. Efectuaram ainda manifestações nas ruas de Lisboa, de que resultaram algumas prisões. Os pescadores de Matosinhos, Afurada, Póvoa do Varzim e Vila do Conde põe fim a uma greve de 70 dias obtendo a satisfação à maioria das suas reivindicações.


1973 
Junho, 1 
 

 
Estado Novo - Congresso dos Combatentes.
Realizaram-se várias iniciativas no âmbito do Congresso entre elas uma Missa e um almoço de ex-combatentes.


1973 
Junho, 2 
 

 
Movimentações Laborais.
Foi libertado o antigo dirigente do Sindicato dos Bancários, Daniel Cabrita. Alguns incidentes marcaram a libertação.


1973 
Junho, 30 
 

 
Imprensa Clandestina.
Editado o n.º 455 do Avante!(PCP) Luta nas Empresas.


1973 
Julho, 1 
 

 
Movimentações laborais no mês de Julho.
Continuação da luta dos bancários contra algumas clausulas do CCT. Milhares de trabalhadores participam em assembleias gerais. Greve de 15 minutos a 1 hora entre 9 e 12 de Julho provoca grande perturbação no atendimento bancário. Grandes manifestações de rua por todo o país. Grande acções de luta na TAP.


1973 
Julho, 1 
 

 
Visita Marcelo Caetano a Londres.
Nas vesperas da chegada de Marcelo Caetano a Londres a imprensa Britânica reflete o mal estar provocado pela visita. A politica Africana de Portugal está no centro dos debates. A contestação também tem reflexos no Parlamento Brtitânico. As noticias sobre os massacres em Moçambique viriam ainda agravar a contestação.(Marcelismo)


1973 
Julho, 9 
 

 
Guerra Colonial. Massacre de Wiriyamu
Denúncia do massacre de Wiriyamu feita pelo padre inglês Adrian Hastings no jornal Times de Londres.


1973 
Julho, 10 
 

 
Movimentações Laborais em Julho. TAP.
Os trabalhadores da TAP convocam uma reunião geral na Voz do Operário que é proibida à última hora. As centenas de trabalhadores aí presentes são vítimas de violentas agressões. Seguem para as instalações da empresa onde os espera uma carga policial. É decretada uma greve.


1973 
Julho, 12 
 

 
Forças Armadas. Legislação Estado Novo.
Decreto-Lei 353/73, aprovado por Sá Viana Rebelo, ministro do Exército, que procurava fazer face à escassez de capitães dos quadros permanentes. Funcionou como verdadeiro detonador para a contestação que, após rápida e profunda evolução, levaria ao 25 de Abril de 1974.


1973 
Julho, 13 
 

 
Visita Marcelo Caetano a Londres.
Início da visita oficial de Marcelo Caetano a Inglaterra, onde é recebido com manifestações de protesto.(Marcelismo)


1973 
Julho, 16 
 

 
Movimento dos Capitães.
Primeiro acto de contestação ao Decreto-Lei 353/73


1973 
Julho, 17 
 

 
Movimento dos Capitães.
Em meados de Julho circularam modelos de exposições individuais de contestação ao Decreto-Lei 353/73.


1973 
Julho, 20 
 

 
Movimento dos Capitães. Guiné.
Reune-se pela primeira vez em Bissau um núcleo de oficiais que seria o embrião do MFA Guiné.


1973 
Julho, 29 
 

 
Forças Armadas. Exonerações.
Kaúlza de Arriaga deixa funções em Moçambique. O General Kaúlza de Arriaga abandona o cargo de Comando-Chefe das Forças Armadas de Moçambique.


1973 
Agosto, 1 
 

 
Imprensa Clandestina.
Editado o n.º 456 do Avante!(PCP) Por uma Grande Campanha Política de Massas. (Comunicado da Reunião do Comité Central do PCP)


1973 
Agosto, 1 
 

 
Forças Armadas. Exonerações.
António de Spinola deixa funções na Guiné. Regresso do general António de Spínola a Portugal, de licença deixando as funções de Governador e Comandante-Chefe. O regresso viria a ser definitivo, verificando-se a sua substituição, em Setembro pelo General Bettencourt Rodrigues.


1973 
Agosto, 6 
 

 
Forças Armadas. Legislação Estado Novo.
Anúncio em Mafra, de recuo do Ministro do Exército, Sá Viana Rebelo, em relação ao Decreto-Lei 353/73.


1973 
Agosto, 14 
 

 
Movimento dos Capitães. Guiné.
Motivados pela disposição que já se verificava na Metrópole, iniciada com a exposição ao Director do Serviço do Pessoal em 17/08/1973, um grupo de oficiais em comissão na Guiné reúne e decide nomear uma comissão para elaborar um documento que conteste o DL em causa (Decreto-Lei 353/73).


1973 
Agosto, 18 
 

 
Forças Armadas. Legislação Estado Novo.
É publicado o Decreto-Lei 409/73, que altera dois artigos do Decreto-Lei 353/73. Ficam isentos do regime geral os oficiais superiores, mas mantêm-se por ele abrangidos os capitães e subalternos.


1973 
Agosto, 20 
 

 
Movimento dos Capitães.
Primeira reunião que levaria à criação do "Movimento dos Capitães".


1973 
Agosto, 21 
 

 
Movimento dos Capitães. Guiné.
Numa segunda reunião (a primeira em 18/08/73) alguns oficiais em serviço na Guiné aprovam o teor da exposição a contestar o Decreto-Lei 353/73) a enviar às mais altas entidades das Forças Armadas, nomedamente do Exército e ainda ao Ministro da Educação.


1973 
Agosto, 21 
 

 
Movimento dos Capitães. Guiné.
Bissau - Reunião de oficiais que decide assinar colectivamente a exposição anteriormente aprovada. É eleita uma comissão do Movimento dos Capitães constituída pelos Capitães Almeida Coimbra, Matos Gomes, Duran Clemente, António Caetano (depois substituído por Sousa Pinto).


1973 
Agosto, 25 
 

 
Movimento dos Capitães. Guiné.
51 oficiais do Quadro Permanente (45 capitães e 6 de patentes mais baixas), em serviço na Guiné, dirigem ao Presidente da República, ao Presidente do Conselho e aos Ministros da Defesa Nacional e do Exército e da Educação Nacional, e ainda ao Secretário de Estado do Exército, uma exposição. Entre os nomes que assinam o documento figuram Manuel Monge, Jorge Golias, Salgueiro Maia, Matos Gomes, Duran Clemente e Otelo Saraiva de Carvalho.


1973 
Agosto, 28 
 

 
Encontro Cunhal Soares.
Realiza-se em Paris, após uma primeira reunião em Junho, importante encontro entre os dirigidentes do PCP e PS, Álvaro Cunhal e Mário Soares, em que ficou decidido concorrer em listas únicas às eleições para a Assembleia Nacional. Por todo o País são preparadas listas conjuntas. Divulgam um comunicado conjunto em que se defende «o fim da guerra colonial e negociações com vista à independência completa e imediata dos povos de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique».


1973 
Setembro, 1 
 

 
Imprensa Clandestina.
Editado o n.º 457 do Avante!(PCP) O Movimento Unitário de Massas. ARA suspende actividade. Greve TAP e Bancários. Movimentos de Juventude.


1973 
Setembro, 1 
 

 
Movimentações Laborais em Setembro:
Nova greve dos pescadores de Matosinhos. Lutas na MAGUE, Estaleiros Navais de Viana do castelo, STCP, Metalurgica Duarte Ferreira, entre outras.


1973 
Setembro, 1 
 

 
Panfletos Milicianos.
Como reacção às muitas exposições e a todo o movimento anti Decreto-Lei 353/73, que se gerou, surgem dois panfletos da autoria de oficias do Quadro Permanente, oriundos dos Quadros do Complemento (portanto beneficiados pelo referido Decreto-Lei 353/73. Enquanto o primeiro "Estagnação ou Progresso?" rapidamente foi esquecido. O segundo "Dos Espúrios aos Puros" criou uma "classificação" dos oficiais que se imporia e viria ser utilizados por todos (Espúrios - Puros).


1973 
Setembro, 1 
 

 
Partidos Clandestinos.
Em Setembro de 1973 É fundado o Partido Revolucionário do Proletariado (PRP). (Luta Armada)


1973 
Setembro, 1 
 

 
Reunião Casa Diniz de Almeida,
Presentes Ponces de Carvalho, Sousa e Castro, Bicho Beatriz, Vasco Lourenço, Rosário Simões, Marques Júnior, Carlos Camilo e Diniz de Almeida. Ultimam-se preparativos para uma reunião alargada em Évora.


1973 
Setembro, 7 
 

 
Reunião Guiné.
Defende-se a institucionalização do Movimento.


1973 
Setembro, 7 
 

 
Reunião de Évora.
Em Monte Sobral, Alcáçovas, numa herdade, 136 capitães assinam um documento dirigido ao Presidente do Conselho, com conhecimento ao Presidente da República, para posteriormente ser posto a circular para recolha de assinaturas.


1973 
Setembro, 9 
 

 
Movimento em Angola.
94 oficiais dos Quadros Permanentes, em serviço em Angola, assinam uma exposição em que avisam o Presidente do Conselho de que a entrada em vigor do DL 353/73 e DL 409/73 "provocará indubitavelmente uma onda de de descontentamento generalizada, pelo menos na classe de oficiais do quadro permanente directamente afectados".


1973 
Setembro, 10 
 

 
Movimento em Moçambique.
107 oficiais do Quadro Permanente assinam uma exposição de teor idêntico à de Angola (10 de Setembro).


1973 
Setembro, 13 
 

 
Encontro de Generais.
Encontro dos generais António de Spínola, Venâncio Deslandes e Kaúlza de Arriaga, durante o qual é levantada a hipótese da substituição de Marcelo Caetano.


1973 
Setembro, 14 
 

 
Movimento em Angola.
Reunião em Luanda, na qual se decide elaborar um pedido colectivo de demissão de oficial do Exército, para o caso de os DL entrarem em vigor. É ainda eleita a primeira comissão do Movimento dos Capitães em Angola, constituída pelos Capitães Vilas Boas, Sousa Guedes, Américo Moreno, Soares e Rui Tomás.


1973 
Setembro, 21 
 

 
Independência da Guiné-Bissau
Proclamação unilateral da independência da Guiné-Bissau feita pelo PAIGC, em Madina do Boé, no interior do território. Num curto curto prazo de tempo, 86 países, mais do que aqueles com quem Portugal mantinha, na época, relações diplomáticas, reconhecem o novo Estado.


1973 
Setembro, 24 
 

 
Conselho Superior do Exército.
Reunião do Conselho Superior do Exército para debate do problema dos capitães. Só o CEMGFA, general Costa Gomes, argumenta a favor da revisão dos decretos.


1973 
Setembro, 26 
 

 
Entrega Documento Elaborado em Moçambique.
O Major Hugo dos Santos e o Capitão Vasco Lourenço entregam em S. Bento o documento elaborado em Moçambique e assinado por 107 oficiais.


1973 
Setembro, 26 
 

 
Imprensa Clandestina.
Editado o n.º 458 do Avante!(PCP) Eleições legislativas. Burla Eleitoral. Proclamação da Républica da Guiné. Greves em Alpiarça. Luta nas empresas. 10.º Festival da Juventude. Comunicado PCP(#)S.


1973 
Outubro, 1 
 

 
Ligação à Marinha
São iniciados os primeiros contactos com a Marinha. O Cap.Ten. Costa Correia será o primeiro representante. A partir daqui haverá um relacionamento estreito. Os contactos regulares ficarão a cargo de Costa Correia e Almada Contreiras pela Marinha e a cargo dos Majores Hugo dos Santos e Victor Alves pelo Exército. O Movimento na Marinha ainda designa para a ligação o 1.º Ten. Vidal Pinho e o 2.º Ten. Pedro Lauret. Mais tarde irá juntar-se a este grupo o Cap.Ten. Vítor Crespo.


1973 
Outubro, 1 
 

 
Manifestações.
No decorrer no mês de Outubro decorreram grandes manifestações em Lisboa, Porto, Leiria, Marinha Grande, Barreiro. As manifestações visavam a falta de liberdade e de condições para a realização de eleições: "Contra a burla eleitoral", "não às urnas". Outras palavras de ordem: " fim à guerra colonial".


1973 
Outubro, 1 
 

 
Movimentações laborais em Outubro.
Trabalhadores da Sacor mantiveram-se em greve durante três dias. Outras movimentações na EFACEC, STCP, Lisnave etc.


1973 
Outubro, 1 
 

 
Movimento dos Capitães.
Reunião do Movimento dos Capitães em Lisboa, com a presença de um representante de Angola e em que se sugere a rotação dos elementos pertencentes à comissão representativa.


1973 
Outubro, 3 
 

 
Movimento dos Capitães. Pedidos de Demissão.
Início da assinatura de um pedido de demissão de oficial do Exército por parte dos oficiais abrangidos pelos decretos 353/73 e 409/73 que ficaram em posse de uma comissão coordenadora provisória.


1973 
Outubro, 6 
 

 
Movimento dos Capitães. Reuniões.
Reunião quadripartida do Movimento nas casas dos Capitães Rui Rodrigues, Mendonça Frazão, Ribeiro da Silva e Diniz de Almeida. Estão presentes delegados da quase totalidade das unidades e estabelecimentos militares, bem como da oficialidade em serviço em Angola, Moçambique e Guiné. Presentes ainda, pela primeira vez e como observadores, representantes da Marinha e da Força Aérea. Pela Marinha estão presentes o Costa Correia, Almada Contreiras, Vidal Pinho, Pedro Lauret. A discussão arrasta-se durante toda a noite e madrugada, com grande número de intervenções, perante as quatro alternativas então apresentadas: I. Pedir colectivamente a demissão de oficial do Exército. 2. Ausentar-se do Serviço, mantendo-se fora do aquartelamento. 3. Permanecer no Quartel ou Estabelecimento sem desempenhar quaisquer funções. 4. Fazer, colectivamente, uso da força. Tendo vencido a primeira alternativa, redigem-se dois documentos sem data (um apresentado colectivamente e outro individualmente), entregues à Comissão do Movimento que os guardaria com vista a posterior utilização, o que nunca se verificou visto que os decretos não entraram em vigor. É elaborado um boletim informativo pela Comissão do Movimento.


1973 
Outubro, 6 
 

 
Movimento dos Capitães. Comissões.
Reunião do Movimento dos Capitães, tendo-se constituído uma comissão coordenadora e mais três comissões - consultiva, de ligação e ultramarina.


1973 
Outubro, 7 
 

 
Forças Armadas. Legislação Estado Novo.
É enviada, pela 1.ª a Repartição do Estado-maior do Exército, a todas as unidades, uma circular anunciando a decisão de estudar caso a caso a situação dos oficiais abrangidos pelos decretos, o que, na prática, representa a sua suspensão.


1973 
Outubro, 12 
 

 
Movimento dos Capitães.
Informação da comissão coordenadora do Movimento dos Capitães sobre a necessidade de não desmobilizar perante a suspensão dos decretos.


1973 
Outubro, 12 
 

 
Movimento dos Capitães. Moçambique.
Reunião do Movimento dos Capitães em Nampula (Moçambique), onde se decide prosseguir o movimento apesar da suspensão dos decretos 353/73 e 409/73.


1973 
Outubro, 15 
 

 
Movimento dos Capitães. Angola.
Reuniões, do Movimento dos Capitães em Luanda, decidindo-se prosseguir com a mobilização dos oficiais, apesar da suspensão dos decretos.


1973 
Outubro, 18 
 

 
Movimento dos Capitães. Guiné.
Reuniões, do Movimento dos Capitães em Bissau, decidindo-se prosseguir com a mobilização dos oficiais, apesar da suspensão dos decretos.


1973 
Outubro, 18 
 

 
Movimento dos Capitães.
Novo alerta da comissão coordenadora do Movimento dos Capitães contra a desmobilização provocada pelas medidas oficiais.


1973 
Outubro, 19 
 

 
Movimento dos Capitães.
Novo comunicado da comissão coordenadora do Movimento dos Capitães com enumeração de todas as acções levadas a efeito pelo movimento e a necessidade de se continuar.


1973 
Outubro, 23 
 

 
Eleições Legislativas.
Realizam-se eleições legislativas para a Assembleia Nacional. O PCP e o PS estão coligados nas listas apresentadas pelo Movimento Democrático, mas a Oposição Democrática desiste antes do acto eleitoral alegando «inexistência de garantias mínimas de seriedade».


1973 
Outubro, 28 
 

 
Movimento dos Capitães. Moçambique.
Carta de esclarecimento sobre as acções do Movimento enviada pela comissão coordenadora aos oficiais do movimento nos Açores.


1973 
Outubro, 29 
 

 
Imprensa Clandestina.
Editado o n.º 459 do Avante!(PCP) Grande Campanha de Massas. (Manifesto da C.E. do PCP(#)Manifestações de Rua. Lutas nas Empresas. Resistência nos quartéis.


1973 
Novembro, 1 
 

 
Movimento dos Capitães. Moçambique.
Circular do Movimento sobre a hipótese de os oficiais da Guiné virem a sofrer consequências disciplinares por terem assinado um documento colectivo.


1973 
Novembro, 1 
 

 
Movimento dos Capitães.
Reunião alargada dos oficiais oriundos de milicianos em Porto de Mós, em que foi eleita uma comissão do respectivo movimento.


1973 
Novembro, 4 
 

 
Movimento dos Capitães.
Reunião da Comissão Coordenadora em casa de Mariz Fernandes. Manifestam-se os primeiros atritos no seio da Comissão e discute-se uma longa agenda de trabalhos. Foi aprovado um regulamento da mesa que seria utilizado nas reuniões do Movimento, assim como um carimbo que tinha como símbolo o Templo de Diana, em Évora.


1973 
Novembro, 6 
 

 
Remodelação Ministerial.
Remodelação ministerial no governo de Marcelo Caetano: Sá Viana Rebelo e Alberty Correia são exonerados e substituídos, respectivamente, por Silva Cunha, no Ministério da Defesa, e por Andrade e Silva, no Ministério do Exército, A chefia do Ministério do Ultramar passa para Baltasar Rebelo de Sousa. Viana de Lemos assume a pasta de Subsecretário de Estado do Exército.


1973 
Novembro, 7 
 

 
Movimento dos Capitães.
Reunião do Movimento dos Capitães, em que se acentua o conflito existente no seu interior.


1973 
Novembro, 10 
 

 
Reunião da Comissão Coordenadora em Aveiras de Cima.
Agudizam-se os conflitos no seio da Comissão: por um lado, Mariz Femandes e Sanches Osório, visando a solução de problemas profissionais na mais estrita legalidade, por outro, Vasco Lourenço e Diniz de Almeida, defendendo o avanço qualitativo do Movimento, sem exclusão de qualquer hipótese. Tal facto leva à demissão da Comissão Coordenadora, a qual se passa a considerar em funções apenas até à eleição, pela Comissão Consultiva, de uma nova Comissão Coordenadora.


1973 
Novembro, 12 
 

 
Tentativa Golpe Kaulza.
Reunião do Movimento em casa de Salgueiro Maia, em Santarém. Sousa e Castro, Freire Nogueira e Rosado da Luz referem os contactos estabelecidos com o coronel Frade Júnior, amigo do general Kaúlza de Arriaga, em que este último procura obter o apoio do Movimento para o seu projecto de tomada do poder.


1973 
Novembro, 15 
 

 
Movimento dos Capitães.
Comunicado do Movimento sobre a necessidade de continuar a mobilização em torno dos mesmos objectivos.


1973 
Novembro, 22 
 

 
Movimento dos Capitães. Deficientes FA.
Constituição de uma Comissão do Movimento de Deficientes, formada por Lavoura Lopes, Calvinho e Guerreiro. Elabora um documento reivindicativo na esteira das posições assumidas pelo Movimento dos Capitães.


1973 
Novembro, 22 
 

 
Reunião da Casa da Cerca
Reunião do Movimento dos Capitães (alargada a tenentes-coronéis e outras patentes mais altas) na Casa da Cerca, em S. Pedro do Estoril. Participam 45 oficiais representantes das principais unidades do país. Inicia-se assim uma segunda fase do Movimento, marcadamente política. O tenente-coronel Luís Banazol faz uma intervenção ousada: «[ ... ] Não tenhamos ilusões: o governo só sai a tiro e os únicos capazes de o fazer somos nós, mais ninguém!».


1973 
Novembro, 24 
 

 
Tentativa Golpe Kaulza.
Henrique Troni, enviado por Kaúlza, fala com Hugo dos Santos, tentando convencê-lo da necessidade de apoiar o projecto de Kaúlza de Arriaga.


1973 
Novembro, 29 
 

 
Imprensa Clandestina.
Editado o n.º 460 do Avante!(PCP) Campanha Política de Massas. (Manifesto da Comissão Política do PCP(#)Operários em Greve. Lutas nas empresas. Aumento de custo de vida. Falta de géneros e gasolina. Prisões polítivas, campanha para a Amnistia. Mensagem de Aristídes Pereira.


1973 
Dezembro, 1 
 

 
Movimentações Laborais.
Depois de dura luta, reabre no mês de Dezembro o Sindicato dos Metalúrgicos. Toma posse nova Direcção Presidida por Jerónimo Franco e Presidente da Mesa da Assembleia Geral, José António Pinheiro. O Sindicato fora encerrado em 1971 depois de uma luta por um Contrato Colectivo de trabalho.


1973 
Dezembro, 1 
 

 
Movimento dos Capitães.
Reunião de Óbidos do Movimento dos Capitães É eleita a comissão coordenadora.


1973 
Dezembro, 1 
 

 
Tentativa Golpe Kaulza.
O coronel Frade Júnior, enviado do general Kaúlza de Arriaga, faz entrega aos representantes do Movimento de Capitães ex-cadetes (Sousa e Castro e Tenente Nogueira) de um documento, que estes levam à subcomissão de Estudos de Situação, sobre a actuação deste na Abrilada de 1961, com o objectivo de provar a sua efectiva vontade de derrubar o regime. Em paralelo com esta actuação junto dos ex-cadetes, dois coronéis muito próximos de Kaúlza encontram-se com vários líderes dos milicianos, comprometendo-se a solucionar o seu problema se eles dessem o seu apoio a um golpe militar de direita.


1973 
Dezembro, 3 
 

 
Ministro do Exército.
O ministro Andrade e Silva, discursando nas cerimónias do Dia da Artilharia e do Exército, anuncia benefícios salariais significativos para os oficiais das FFAA.


1973 
Dezembro, 4 
 

 
Reunião alargada da Comissão Coordenadora na Costa da Caparica.
Presentes, além dos elementos da Comissão, Eurico Corvacho, Tomás Ferreira, Ataíde Banazol e Vasco Gonçalves. Trabalha-se a terceira hipótese saída da reunião de Óbidos. É aprovada por maioria uma proposta que consiste em «continuar a apresentar ao govemo reivindicações de carácter exclusivamente militar, e com a maior realidade, mas de natureza tal que o executivo não tenha possibilidades de as satisfazer, originando-se assim uma forma de pressão que, na melhor das hipóteses, leve à demissão do próprio governo, e, na pior, ao devido encaminhamento para a primeira hipótese». É eleita a direcção da Comissão Coordenadora, que irá manter-se até 25 de Abril. Constituem-na Vasco Lourenço (organização intema e ligações), Vítor Alves (orientação política) e Otelo Saraiva de Carvalho (secretariado). A eles ficam ainda associados Hugo dos Santos e Pinto Soares.


1973 
Dezembro, 5 
 

 
Tentativa Golpe Kaulza.
Encontro em Lisboa entre Frade Júnior, Freire Nogueira e Sousa e Castro, em que se discute um documento que especifique os objectivos de um eventual golpe militar dirigido por Kaúlza de Arriaga.


1973 
Dezembro, 5 
 

 
Reunião do Movimento dos Capitães na Parede, em que se define a organização das sub-comissões.



1973 
Dezembro, 9 
 

 
Tentativa Golpe Kaulza.
Reunião de oficiais do Movimento dos Capitães em Santarém, em que os páraquedistas tentam impor a chefia do movimento por Kaúlza de Arriaga.


1973 
Dezembro, 15 
 

 
Tentativa Golpe Kaulza.
Contacto do Movimento dos Capitães com os generais Costa Gomes e António de Spínola, que são alertados sobre as intenções de Kaúlza de Arriaga.


1973 
Dezembro, 16 
 

 
Tentativa Golpe Kaulza.
O major Carlos Fabião, na altura a frequentar um curso para oficiais superiores no Instituto de Altos Estudos Militares, denuncia publicamente um golpe de extrema-direita, preparado por Kaúlza de Arriaga (apoiado ainda por Silvino Silvério Marques, Luz Cunha e Henrique Troni), com a finalidade de «abater» Costa Gomes e António de Spínola. As unidades são alertadas para não tomarem parte em qualquer tentativa de golpe que alegadamente surja como sendo da responsabilidade do Movimento.


1973 
Dezembro, 17 
 

 
Tentativa Golpe Kaulza.
Reunião da direcção da Comissão Coordenadora, juntamente com Hugo dos Santos e Pinto Soares, em casa de Vítor Alves. Discute-se a necessidade de esclarecimento do envolvimento dos pára-quedistas na «Kaulzada», bem como a situação emergente da denúncia de Carlos Fabião. Decide-se uma reunião alargada para o dia seguinte.


1973 
Dezembro, 17 
 

 
Tentativa Golpe Kaulza.
Reunião de emergência de parte da C. C. do Movimento em casa de Hugo dos Santos. Está presente Avelar de Sousa, representante dos pára-quedistas, que não consegue esclarecer completamente o grau de envolvimento dos seus camaradas no projectado golpe de estado de Kaúlza de Arriaga.


1973 
Dezembro, 18 
 

 
Movimento dos Capitães. Represálias.
Ordem de embarque imediato para a Guiné para alguns oficiais do batalhão de Ataíde Banazol.


1973 
Dezembro, 20 
 

 
Movimento dos Capitães.
Carta da comissão coordenadora do Movimento dos Capitães para as comissões nas colónias sobre o desfecho da «Kaúlzada».


1973 
Dezembro, 21 
 

 
Movimento dos Capitães. Represálias.
Vasco Lourenço e Diniz de Almeida são mandados apresentar no Quartel-General de Lisboa. Ficam detidos. O primeiro no Regimento de Cavalaria 7 e o segundo no Batalhão de Caçadores 5.


1973 
Dezembro, 21 
 

 
Legislação Militar.
O Diário do Governo publica quatro decretos relacionados com as Forças Armadas. O primeiro cria o cargo de vice-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, especialmente destinado a António de Spínola. Os três restantes visam interferir nas carreiras militares, de forma a corrigir os decretos n°s 353/73 e 409/73.


1973 
Dezembro, 22 
 

 
Revogação definitiva dos decretos de 13/7 e 20/8 sobre as carreiras militares.



1973 
Dezembro, 22 
 

 
Orçamento Geral do Estado.
O Conselho de Ministros aprova o Orçamento Geral do Estado para 1974, assim como aumentos substanciais nos vencimentos do pessoal das Forças Armadas, especialmente oficiais. O posto de capitão é o que tem um aumento maior.


1973 
Dezembro, 28 
 

 
Imprensa Clandestina.
Editado o n.º 461 do Avante!(PCP) O Governo prepara medidas demagógicas para Africa. 1974, alargar a luta em todas as frentes. Movimentações laborais. Greves e paralisações. Resolução do Congresso Sindical Mundial.


1974 
Janeiro, 1 
 

 
Movimento dos Capitães. Represálias.
As autoridades militares ordenam a transferência do capitão Alberto Ferreira, da direcção de ex milicianos, da Academia Militar para Estremoz. É a primeira acção do governo contra a comissão de ex-milicianos.


1974 
Janeiro, 1 
 

 
Movimento dos Capitães. Represálias.
Transferência compulsiva de Alberto Ferreira, membro da comissão coordenadora dos oficiais ex-milicianos, para Estremoz.


1974 
Janeiro, 1 
 

 
Imprensa Estrangeira.
A BBC dá grande destaque ao «enigma» do golpe de estado que nunca existiu.


1974 
Janeiro, 3 
 

 
Comissão Coordenadora.
Reunião de parte da Comissão Coordenadora em casa de Vasco Lourenço. Analisa a situação decorrente da tentativa de golpe de Kaúlza de Arriaga. Sousa e Castro e Bação de Lemos esclarecem as suas ligações com Frade Júnior e a sua intervenção na desmontagem da «Kaulzada».


1974 
Janeiro, 6 
 

 
Movimento dos Capitães. Comissões.
Reunião da Direcção da Comissão Coordenadora em casa de Vítor Alves. Decide-se devolver os pedidos de demissão aos respectivos signatários (ver 6 de Outubro de 1973).


1974 
Janeiro, 7 
 

 
Movimento dos Capitães. Força Aérea.
Uma «comissão provisória» da Força Aérea, constituída por Costa Neves, Palma e Vítor Sousa reúne, em casa de Pinto Soares, com a subcomissão de ligação do Movimento. Embora a reunião revestisse um carácter informativo, constituiu o primeiro passo para a entrada da Força Aérea no Movimento.


1974 
Janeiro, 8 
 

 
Reunião da Subcomissão de Ligação.
Reunião em casa de Vasco Lourenço, da subcomissão de ligação que definiu um sistema de ligações.


1974 
Janeiro, 10 
 

 
Reunião da Comissão Coordenadora.
Reunião de parte da Comissão Coordenadora em casa do major Fernandes da Mota. Estuda o funcionamento das várias subcomissões. É considerada prematura e utópica uma ligação com o general Costa Gomes. Define-se a necessidade de um documento base, a discutir por todos os ramos, sendo dado um prazo de duas semanas ao Secretariado para apresentação de um projecto a difundir por todos os oficiais.


1974 
Janeiro, 12 
 

 
Graves acontecimentos em Moçambique.
Assalto a uma fazenda de brancos e forte reacção dos fazendeiros e agricultores de Vila Pery. As manifestações da população prolongam-se por vários dias, atingindo a sua maior gravidade na noite de 17 para 18 de Janeiro, com insultos às Forças Armadas perante a passividade das forças policiais e a inoperância das autoridades civis e militares. Nestes acontecimentos verifica-se a implicação directa de Jorge Jardim, apoiado por elementos da PIDE/DGS.


1974 
Janeiro, 14 
 

 
Vice-Chefe do Estado-Maior General
Tomada de posse do General António de Spínola como Vice-Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas. Recebido por Marcelo Caetano, António de Spínola informa-o da próxima publicação de um livro sobre a situação do Ultramar.


1974 
Janeiro, 14 
 

 
Graves acontecimentos em Moçambique.
O funeral das vítimas dos ataques realizou-se em Manica congregando milhares de colonos, que se manifestaram junto do encarregado do Governo.


1974 
Janeiro, 16 
 

 
Chefe do Estado Maior General segue para Moçambique.
O General Costa GomesCosta Gomes segue para estudar localmente os acontecimentos em Vila Pery e Beira, o General parte de avião para a Beira, deixando o Estado Maior General entregue ao general António de Spínola.


1974 
Janeiro, 17 
 

 
Graves acontecimentos em Moçambique.
Manifestação da população branca da zona centro de Moçambique, em especial na cidade da Beira, contra as Forças Armadas e os militares, com confrontos físicos e alguns feridos.


1974 
Janeiro, 17 
 

 
Graves acontecimentos em Moçambique.
Na cidade da Beira, capital do distrito ocorrem graves incidentes, na sequência dos acontecimentos dos dias anteriores. Foi recebida uma carta dos oficiais do Movimento em que no seu ponto 9 se relatam os acontecimentos.


1974 
Janeiro, 18 
 

 
Movimentações de ex-milicianos.
António de Spínola recebe uma delegação de oficiais do Quadro Permanente oriundos de milicianos, composta por Alberto Ferreira, Andrade Moura, Pais de Faria e Armando Ramos. Assiste também António Ramos, ajudante de campo de António de Spínola. Ao mesmo tempo que solicitam a António de Spínola que defenda a sua causa junto do governo, fazem-lhe entrega de um documento assinado por cerca de duas centenas de oficiais que o mandatava para tratar dos seus problemas profissionais. António de Spínola sugere-lhes que tentem um entendimento com os oficiais oriundos de cadetes.


1974 
Janeiro, 20 
 

 
Movimento dos Capitães. Moçambique.
O Movimento dos Capitães de Moçambique envia para Lisboa um telegrama em que descreve os acontecimentos da Beira, exortando o Movimento a manifestar-se e a declinar as responsabilidades pela situação que ameaça prolongar-se «em desprestígio das Forças Armadas».


1974 
Janeiro, 21 
 

 
Movimento dos Capitães. Acontecimentos em Moçambique.
Encontro de António de Spínola com Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Lourenço, em que estes o informam dos acontecimentos de Moçambique e da indignação que suscitaram em muitos oficiais. Revelam-lhe também a intenção de difundir uma circular sobre o caso. António de Spínola adverte-os sem, no entanto, se opor.


1974 
Janeiro, 22 
 

 
Movimento dos Capitães. Moçambique.
O Movimento dos Capitães de Moçambique apresenta ao Comandante Chefe uma exposição denunciando o que se passava e pedindo medidas para que as Forças Armadas «não fossem enxovalhadas», enjeitando a possibilidade de serem consideradas «bode expiatório» e declinando responsabilidades na situação criada . Exposição assinada por 180 oficiais.


1974 
Janeiro, 23 
 

 
Movimento dos Capitães. Moçambique.
Divulgação às comissões do Movimento dos Capitães, através da circular n.º 1/74, dos telegramas recebidos de Moçambique.


1974 
Janeiro, 23 
 

 
Movimento dos Capitães.
Reunião alargada da Comissão Coordenadora em casa de Vasco Lourenço. É aprovado na generalidade um texto, elaborado por José Maria Azevedo, que serviria de introdução a um documento programático a ser aprovado numa reunião conjunta de oficiais do Movimento dos três ramos das Forças Armadas.


1974 
Janeiro, 26 
 

 
Movimento dos Capitães. Moçambique.
Abaixo-assinado elaborado pela comissão regional do Movimento dos Capitães na Beira (Moçambique), sobre os últimos acontecimentos.


1974 
Janeiro, 27 
 

 
Movimento dos Capitães. Comissões.
Reunião da Direcção da Comissão Coordenadora em casa de Hugo dos Santos. É discutida a situação em Moçambique. Após leitura e análise de toda a documentação enviada de Moçambique a direcção do Movimento decide manifestar total solidariedade com qualquer atitude levada a cabo pelos seus camaradas em serviço nessa colónia. Discutido ainda um problema de segurança no Regimento de Lanceiros 1, em Elvas, onde Gastão e Silva, encarregado pelo Movimento de elaborar o estudo da situação da unidade, parecia ter sido descoberto.


1974 
Janeiro, 29 
 

 
Movimento dos Capitães. Moçambique.
Envio, pela comissão do Movimento dos Capitães em Nampula, de um relato circunstanciado dos acontecimentos da Beira, para Lisboa e para as comissões regionais.


1974 
Janeiro, 29 
 

 
Forças Armadas. Ex-Milicianos.
Audiência de Spínola a uma comissão mista de oficiais oriundos do Quadro de Complemento e do Quadro Especial de Oficiais.


1974 
Janeiro, 30 
 

 
Imprensa Clandestina.
Editado o n.º 462 do Avante!(PCP) Agravamento do custo de vida. Luta classe operária. Greves na Sorefame e Cometna. Resistência nos quartéis. Lutas estudantis. Estudantes do Técnico.


1974 
Fevereiro, 1 
 

 
Movimento dos Capitães. Comissões.
Reunião alargada da direcção da Comissão Coordenadora em casa de Otelo Saraiva de Carvalho. É sugerido o estudo da situação das forças militarizadas, GNR, PSP e GF, bem como da Legião Portuguesa (LP) e da DGS, por ser evidente que se oporiam ao Movimento em caso de confrontação.


1974 
Fevereiro, 3 
 

 
Movimentações Colonos Brancos.
Jorge Jardim chega a Lisboa para conversações com o governo (frustradas), sobre uma proposta de resolução do problema de Moçambique, supostamente apoiada pelos dirigentes da alguns países africanos


1974 
Fevereiro, 5 
 

 
Movimento dos Capitães. Comissões.
Reunião da Comissão Coordenadora em casa de Marcelino Marques. É alargada a outros elementos de confiança, a nível de tenente-coronel e de coronel. Estão presentes, pela primeira vez, Garcia dos Santos, Costa Brás e Melo Antunes. Após ampla discussão do projecto de Programa elaborado por José Maria Azevedo, e já aprovado pela Comissão Coordenadora, este é rejeitado por unanimidade. Em consequência, é eleita uma comissão encarregada de nova redacção. Constituem-na Costa Brás, Melo Antunes, José Maria Azevedo e Sousa e Castro. Foram ainda devolvidos ao Secretariado, para destruição, os exemplares do documento discutido.


1974 
Fevereiro, 5 
 

 
Preparativos Políticos.
Melo Antunes encontra-se com Almada Contreiras e Martins Guerreiro. A apresentação é feita pelo Alferes José Leal Loureiro que conhecia Contreiras através de um grupo de exilidados políticos em França. Leal Loureiro conhecera Melo Antunes em Leiria quando aí se deslocou em serviço do CEP.


1974 
Fevereiro, 7 
 

 
Católicos progressistas. Bispo de Nampula.
Bispo de Nampula, D. Manuel Vieira Pinto, publica um documento intitulado: "Imperativo de Consciência". Virá a ser perseguido pela PIDE/DGS sendo obrigado a abandonar Moçambique.


1974 
Fevereiro, 12 
 

 
Movimento dos Capitães. Guiné.
O Movimento dos Capitães de Bissau envia uma carta para o Movimento de Lisboa onde procura exprimir os sentimentos que prevaleciam na Guiné: «Há necessidade de conhecer os factores de aglutinação dos oficiais, traduzida por uma tomada de consciência dos problemas nacionais».


1974 
Fevereiro, 14 
 

 
Portugal e o Futuro.
Portugal e o Futuro - António de Spínola entrega um exemplar do seu livro, Portugal e o Futuro, com dedicatória a Marcelo Caetano.


1974 
Fevereiro, 18 
 

 
Chefes Militares.
Marcelo Caetano convoca os generais Costa Gomes e António de Spínola para uma reunião a 22 , em que são convidados a tomar o poder.


1974 
Fevereiro, 21 
 

 
Portugal e o Futuro.
António de Spínola publica o livro Portugal e o Futuro. Nele se afirma: jamais a essência da Nação, a segurança física e o bem-estar material e social de tantos dos seus cidadãos estiveram em tão grave risco como o estão no presente». Venderam-se. em poucos meses. cerca de trezentos e cinquenta mil exemplares


1974 
Fevereiro, 22 
 

 
Movimento dos Capitães. Comissões.
Reunião da direcção da Comissão Coordenadora em casa de Otelo Saraiva de Carvalho.


1974 
Fevereiro, 25 
 

 
Estado Novo. Fracturas.
Marcelo Caetano apresenta pedido de demissão a Américo Tomás.


1974 
Fevereiro, 28 
 

 
Movimento dos Capitães. Comissões.
Reunião, em casa de Vítor Alves. da Direcção da Comissão Coordenadora com a Comissão Coordenadora da Arma de Engenharia. Procede-se à apresentação e discussão de um minucioso calendário das actividades do Movimento para o mês de Março elaborado por Pinto Soares, Mourato Grilo e Luís Macedo. Prepara-se ainda a reunião de 5 de Março em Cascais tendo ficado Vítor Alves e Mourato Grilo encarregados de a dirigir.


1974 
Fevereiro, 28 
 

 
Editado o n.º 463 do Avante!(PCP)
Grande Movimento de Massas. Mais de 100 000 trabalhadores em luta. Preparação do 1.º de Maio. Luta dos Professores.


1974 
Março, 1 
 

 
Movimento dos Capitães.
Reunião da comissão coordenadora do Movimento dos Capitães com a comissão dos oficiais ex-milicianos.


1974 
Março, 2 
 

 
Movimento dos Capitães. Força Aérea.
Reunião dos oficiais do movimento da Força Aérea, em que é preparado um documento programático.


1974 
Março, 2 
 

 
Movimento dos Capitães. Preparação da Reunião de Cascais.
Reunião do Movimento em casa do capitão Seabra. Presentes representantes dos três ramos das Forças Armadas. Discute-se o programa a apresentar. Os representantes da Marinha (Almada Contreiras, Pedro Lauret, Costa Correia e Vidal Pinho) fazem questão de afirmar que só se vinculariam a um programa político progressista, aceitando estar em Cascais como observadores. É elaborado o 1.º Documento Político Programático: "O Movimento as forças Armadas e a nação". Os representantes da Força Aérea manifestam a sua discordância com a solução preconizada para o problema colonial.


1974 
Março, 3 
 

 
Movimento dos Capitães.
Reunião da Comissão Coordenadora em casa de Luís Macedo, preparatória do Plenário do dia seguinte. Decide-se enviar Vasco Lourenço e Otelo Saraiva de Carvalho a um encontro com António de Spínola, procurando obter informações sobre o sentido da anunciada comunicação de Marcelo Caetano à Assembleia Nacional, no dia seguinte.


1974 
Março, 4 
 

 
Documento Spinolista.
Um grupo de oficiais do Movimento, com ligações a António de Spínola, põe a circular, para recolha de assinaturas, uma declaração de apoio «ao chefe militar que em linguagem de verdade e com grande patriotismo expôs a situação do Ultramar, e hoje ocupa a alta função de Vice-Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, General António de Spínola».


1974 
Março, 5 
 

 
Movimento dos Capitães. Reunião de Cascais.
Plenário de Cascais do Movimento de Oficiais das Forças Armadas, em que é aprovado o documento "o Movimento, as Forças Armadas e a Nação».


1974 
Março, 5 
 

 
MFA. Comunicado.
Carta da comissão coordenadora do Movimento de Oficiais das Forças Armadas para as colónias sobre o plenário de Cascais e a forma da aplicação do plano aprovado.


1974 
Março, 7 
 

 
MFA. Represálias.
Os capitães Vasco Lourenço, Carlos Clemente, Antero Ribeiro da Silva e David Martelo tomam conhecimento oficial do despacho ministerial que ordena a sua transferência de unidade. Os dois primeiros devem seguir para o Comando Territorial Independente dos Açores; o terceiro para o Comando Territorial Independente da Madeira; o último, para o Batalhão de Caçadores 3, em Bragança.


1974 
Março, 8 
 

 
MFA. Reuniões.
Reunião da Comissão Coordenadora, em casa de Luís Macedo, alargada a outros elementos do Exército e representantes da Marinha e da Força Aérea. Forma-se uma Comissão Política do Movimento, constituída por Vítor Alves, Almada Contreiras, Vasco Gonçalves e Costa Brás. Como reacção às transferências compulsivas foi decidido sequestrar dois dos militares transferidos, evitando que se cumprissem as ordens ministeriais, e realizar, pelas 16 horas do dia seguinte, uma manifestação de protesto de oficiais junto ao Ministério do Exército. Dado o estado de prevenção em que entraram as unidades, esta manifestação não chegou a realizar-se.


1974 
Março, 8 
 

 
Forças Armadas. Prevenção Rigorosa.
Entrada das Forças Armadas em prevenção rigorosa, facto que não se registava desde 1961.


1974 
Março, 9 
 

 
MFA. Represálias.
Pinto Soares acompanha, em nome do Movimento, os dois oficiais sequestrados, Vasco Lourenço e Ribeiro da Silva, ao Quartel General da Região Militar de Lisboa, tentando obter com a sua entrega a anulação dos despachos de transferência. Em resultado desta operação ficam os três presos no Forte da Trafaria.


1974 
Março, 9 
 

 
Reunião Oficiais Spinolistas.
Reunião de um grupo de oficiais do Movimento ligados a António de Spínola, com a finalidade de ultimar os preparativos de uma acção militar contra o regime.


1974 
Março, 9 
 

 
Acção Spinolista.
Otelo Saraiva de Carvalho encontra-se com António Ramos, ajudante-de-campo de António de Spínola, a pedido deste último. É sugerido a Otelo Saraiva de Carvalho que o Movimento adopte uma posição de protesto contra a cerimónia de solidariedade dos oficiais-generais para com o Governo, prevista para o dia 14 de Março,


1974 
Março, 11 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Reunião do Movimento de Oficiais onde se decide atribuir a responsabilidade operacional a Otelo e a política a Vítor Alves, e preparar rapidamente um plano de operações.


1974 
Março, 11 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Reunião de alguns militares, em casa de Casanova Ferreira, para elaborar um «Plano de Operações». Presentes Otelo Saraiva de Carvalho, Casanova Ferreira, Manuel Monge, José Maria Azevedo, Geraldes, Luís Macedo e Garcia dos Santos.


1974 
Março, 12 
 

 
Brigada do Reumático.
Marcelo Caetano recebe Costa Gomes e António de Spínola, que lhe vão dar conta das razões por que não iriam comparecer à cerimónia do dia seguinte. Marcelo Caetano informa-os de que «nesse caso seriam destituídos».


1974 
Março, 13 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Reuniões de Otelo com os oficiais da EPC e dos paraquedistas, que recusam o plano de operações apresentado, por o considerarem muito incipiente; os paraquedistas ficam responsáveis pela elaboração de um novo plano, num prazo de dez dias.


1974 
Março, 13 
 

 
Reunião Oficiais de Marinha.
Reunião no Clube Militar Naval de 130 oficiais da Armada, que se solidarizam esmagadoramente com os oficiais do Exército presos.


1974 
Março, 13 
 

 
Brigada do Reumático.
Cerimónia de solidariedade com o regime, levada a cabo por oficiais-generais dos três ramos das Forças Armadas, que ficou conhecida por «Brigada do Reumático». Marcelo Caetano afirmou em agradecimento: «O país está seguro de que conta com as suas Forças Armadas e em todos os escalões destas não poderão restar dúvidas acerca da atitude dos seus comandos».


1974 
Março, 14 
 

 
Forças Armadas. Demissões.
São anunciadas as demissões dos generais António de Spínola e Costa Gomes, e do almirante Bagulho. O lugar de António de Spínola é suprimido e Joaquim Luz Cunha ocupa o de Costa Gomes.


1974 
Março, 14 
 

 
Pronunciamento das Caldas.
O capitão Virgílio Varela, do Regimento de Infantaria 5, das Caldas da Rainha, informa Casanova Ferreira que, caso a Comissão Coordenadora do Movimento não reaja à demissão dos dois generais, ele sairá sozinho com a sua unidade. Casanova Ferreira tenta convencê-lo a adiar a acção, mas Virgílio Varela não desmobiliza o seu pessoal e decide mantê-lo em «estado de prontidão».


1974 
Março, 14 
 

 
Acção Spinolista.
Reunião de Spínola com alguns oficiais da sua confiança, em que se planeiam as acções futuras do movimento e em que é referido o dia 19 de Março como a data do golpe.


1974 
Março, 15 
 

 
Forças Armadas. Demissões.
Demissão dos generais Costa Gomes e Spínola dos cargos de Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas e de vice-CEMGFA, respectivamente.


1974 
Março, 15 
 

 
MFA. Represálias.
Embarque de Vasco Lourenço para Ponta Delgada e de Ribeiro da Silva para o Funchal


1974 
Março, 15 
 

 
Movimentação Militar,
Reunião não preparada de alguns elementos do Movimento que tentam coordenar as acções das unidades, mas que não conseguem evitar a revolta do Centro de Instrução de Operações Especiais de Lamego.


1974 
Março, 15 
 

 
MFA. Represálias.
Cerco da Academia Militar por forças da GNR, levando à prisão de alguns elementos do Movimento.


1974 
Março, 16 
 

 
Pronunciamento das Caldas.
Os capitães do Regimento de Infantaria 5, das Caldas da Rainha, tomam o comando do Quartel e de madrugada avançam sobre Lisboa, sob o comando do capitão Armando Ramos. É a única unidade a sair, numa acção descoordenada e na sequência da qual são presos cerca de duzentos militares, entre os quais Almeida Bruno, Manuel Monge, Casanova Ferreira, Armando Ramos e Virgílio Varela.


1974 
Março, 16 
 

 
MFA. Comunicado.
Comunicado da comissão coordenadora do Movimento sobre a revolta das Caldas da Rainha.


1974 
Março, 18 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Encontro de Otelo Saraiva de Carvalho com Vítor Alves e Melo Antunes, tendo ficado este encarregue da redacção de um programa político, a partir da circular 2/74 e do manifesto «O Movimento, as Forças Armadas e a Nação», mas que aclarasse o sentido político e pormenorizasse os objectivos do Movimento.


1974 
Março, 18 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Reunião do Movimento na Parede. Perante a determinação do Movimento e a intransigência do Governo, conclui-se pela probabilidade de triunfo de um movimento militar razoavelmente organizado. É decidido escolher em todos os sectores da orgânica do Movimento um elemento sombra para todos os elementos em funções.


1974 
Março, 20 
 

 
Melo Antunes.
O Maj. Melo Antunes, em véspera da sua partida para os Açores, passa o seu contacto com Álvaro Guerra ao Cap.Ten. Almada Contreiras.


1974 
Março, 22 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Reunião de alguns membros do Movimento em casa de Vítor Alves. Presentes elementos dos três ramos das Forças Armadas: Melo Antunes, Otelo Saraiva de Carvalho, Hugo dos Santos, Almada Contreiras, Pedro Lauret. Melo Antunes dá a conhecer a primeira versão do programa político do Movimento, que merece a aprovação de todos os presentes. Devido à sua partida para os Açores, entrega nessa mesma noite o documento a Vítor Alves, para o trabalhar com o gabinete escolhido para o efeito. Combina ainda com Otelo Saraiva de Carvalho um telegrama em código que o informe do início das operações


1974 
Março, 22 
 

 
Preparativos para a transmissão da senha para início das operações.
Informação inicial prestada a Carlos Albino (que prestara serviço militar no Centro de Estudos Psicotécnicos do Exército, onde conhecera e ficara amigo de Carlos Fabião) sobre a inevitabilidade de uma senha por rádio com efectiva cobertura nacional para o arranque dos quartéis. Carlos Albino garante a transmissão no programa independente Limite de que era um dos realizadores e autores, transmitido através da Rádio Renascença para todo o território nacional.


1974 
Março, 22 
 

 
Melo Antunes.
Partida de Melo Antunes para os Açores, para onde foi transferido a seu pedido. Este pedido tinha sido solicitado muito antes do início do Movimento, sendo desencadeado neste momento para o afastar do centro das reuniões.


1974 
Março, 23 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Encontro de Otelo Saraiva de Carvalho com Rafael Durão. Expirado o prazo pedido pelos pára-quedistas, estes mantêm total reserva quanto à sua participação em qualquer acção militar.


1974 
Março, 23 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Última reunião da Comissão Coordenadora do Movimento, em casa do capitão Candeias Valente. Otelo Saraiva de Carvalho assume a responsabilidade de elaborar um plano de operações e de preparar a acção a desencadear. O golpe é marcado para o período de 22 a 29 do mês seguinte. Vítor Alves fica encarregado da direcção política. Decide-se ainda interromper qualquer contacto por circular, bem como as reuniões da Comissão Coordenadora.


1974 
Março, 24 
 

 
MFA. Comunicado.
Carta da direcção do Movimento de Oficiais sobre o rescaldo do 16 de Março e a necessidade de prosseguir o movimento.


1974 
Março, 27 
 

 
Canção Intervenção.
Um forte aparato policial é montado no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, onde se realiza o 1.º Encontro da Canção Portuguesa e durante o qual serão entregues os prémios atribuídos no ano anterior pela Imprensa. Participam no festival, entre outros, José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire, José Jorge Letria e José Carlos Ary dos Santos. A canção Grândola, de José Afonso, é entoada em coro pelo público que enchia o Coliseu e, no fim, milhares de pessoas gritam «abaixo a repressão!».


1974 
Março, 28 
 

 
Conversa em Família.
Marcelo Caetano, na sua última «Conversa em Família», assume um tom premonitório: «Fica-me a tranquilidade de ter sempre procurado cumprir rectamente o meu dever para com o país».


1974 
Março, 28 
 

 
Preparativos para a transmissão da senha para início das operações.
«Ensaio» no Coliseu (festival da Casa da Imprensa) sobre a aceitação de Grândola e sobre a reacção da Censura. O festival foi gravado e transmitido em diferido pelo Limite que a partir de então não mais usou a canção para evitar decisões inesperadas da censura (o Limite foi o único programa na história da rádio em Portugal com censura directa e contínua nos estúdios, por elemento do antigo regime para esse efeito destacado).


1974 
Março, 29 
 

 
Benfica Sporting.
Marcelo Caetano assiste ao desafio de futebol Benfica Sporting. No seu livro Depoimento, publicado em 1978, afirma a propósito: «Quando o alto-falante anunciou que eu me achava no camarote principal, a assistência, calculada em 80.000 espectadores, como movida por uma mola, consagrou-me demorada ovação ( ... ) e as informações que chegavam ao Governo também garantiam sossego geral e apoio ao regime


1974 
Março, 31 
 

 
Imprensa Clandestina.
Editado o n.º 464 do Avante!(PCP) Não dar tréguas ao fascismo. Aliar à luta anti-fascista os patriotas das forças armadas. A luta por aumento de salários. Escalada da tortura.


1974 
Abril, 1 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Otelo Saraiva de Carvalho trabalha na elaboração do Plano de Operações. Para conhecer a «organização do inimigo» são preciosas as informações que Vítor Alves, Sanches Osório, Franco Charais e Costa Brás conseguem no Estado Maior do Exército, onde estão colocados. Chegam-lhe às mãos o «quadro da orgânica operacional da PSP», os «quadros da Força de Intervenção do Exército» e das «Forças de Reserva do Governo» existentes em todo o país, o «dispositivo das forças da Legião Portuguesa do Continente» e, finalmente, as mais recentes movimentações de material de guerra (incluindo meios de transmissões) pelas unidades do Exército. Obtém ainda importantes informações sobre a GNR, através de Fernando Bélico Velasco, oficial colocado no Comando Geral da Corporação.


1974 
Abril, 1 
 

 
MFA. Preparativos Políticos.
Realiza-se a primeira de uma série de reuniões nas casas de Hugo dos Santos, Vítor Alves e Almada Contreiras com vista à elaboração final e discussão do Programa do Movimento. Irão participar nas reuniões: pelo Exército Costa Brás, Franco Charais, Vítor Alves e José Maria Azevedo, pela Marinha Vítor Crespo, Almada Contreiras e Pedro Lauret


1974 
Abril, 1 
 

 
MFA. Comunicado.
Carta da direcção do Movimento de Oficiais para as colónias, informando as respectivas comissões de que não deveriam tomar a iniciativa de qualquer movimento.


1974 
Abril, 4 
 

 
Movimentos revolucionários.
Rebenta um engenho explosivo colocado pelas Brigadas Revolucionárias no navio Cunene, que se preparava para partir para África.


1974 
Abril, 4 
 

 
MFA. Preparativos Políticos.
Carlos Morais apresenta a António de Spínola, por solicitação de Otelo Saraiva de Carvalho, o projecto de Programa do Movimento. Solicita-lhe ainda a indicação de dois oficiais generais para o futuro Directório Militar. António de Spínola introduz algumas alterações, entre as quais a da constituição de um Governo Militar para cumprimento do Programa. Quanto aos generais, António de Spínola sugere Diogo Neto e Jaime Silvério Marques


1974 
Abril, 7 
 

 
MFA. Preparativos Políticos.
Primeira apresentação do programa do Movimento a António de Spínola, que nele virá a introduzir diversas alterações, algumas não aceites pelo movimento.


1974 
Abril, 7 
 

 
MFA. Guiné.
Informação do Movimento de Oficiais da Guiné à comissão de Lisboa, de que está preparado para assumir a iniciativa do movimento, caso seja necessário.


1974 
Abril, 13 
 

 
MFA. Preparativos Políticos.
Carlos Morais contacta de novo António de Spínola, a quem entrega a segunda versão do Programa do Movimento, já com as suas sugestões, com excepção da constituição de um Governo Militar. Informa ainda que é intenção do Movimento, em caso de vitória, entregar a Presidência da República a Costa Gomes e a António de Spínola a chefia do Estado-Maior-General das Forças Armadas


1974 
Abril, 13 
 

 
MFA. Preparativos Políticos.
António de Spínola procura Costa Gomes na sua residência para o informar dos contactos tidos com o Movimento. Fala-lhe do Programa e da sua intenção de o substituir por dois outros documentos mais adequados. Costa Gomes recusa envolver-se mas acaba por ler os documentos. Aconselha, porém, António de Spínola a não se comprometer com o Movimento, o qual, na sua perspectiva, deveria ser desencadeado a partir do Ultramar.


1974 
Abril, 14 
 

 
MFA. Preparativos Políticos.
Encontro de António de Spínola com Carlos Morais, a quem entrega o Programa Político com ligeiras alterações, bem como os dois novos documentos e ainda um gráfico com o escalonamento, por fases, do desenvolvimento do processo político e um organograma dos órgãos de Estado. Nesse organograma encontram-se no mesmo plano hierárquico o primeiro-ministro e o CEMGFA, como resultado de uma total separação dos poderes político e militar.


1974 
Abril, 14 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
As unidades que vão participar no Movimento entram em estado de alerta, conforme as instruções recebidas.


1974 
Abril, 15 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
É autorizada pelo Estado Maior do Exército a montagem de uma linha telefónica militar directa entre a Escola Prática de Transmissões, à Graça, e o Regimento de Engenharia n° 1, na Pontinha, após proposta efectuada por Garcia dos Santos. Uma equipa chefiada pelo furriel Cerdoura, em trabalho extenuante, montou a linha em menos de vinte e quatro horas.


1974 
Abril, 15 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Reunião de Otelo Saraiva de Carvalho com Jaime Neves, Morais da Silva e alguns oficiais de patente mais baixa da Escola Prática de Infantaria, a fim de serem ultimados pormenores quanto às respectivas missões.


1974 
Abril, 15 
 

 
MFA. Preparativos Políticos.
Reunião do Movimento em casa de Simões Teles. Presentes Vasco Gonçalves, Vítor Alves, Almada Contreiras, Franco Charais, Pedro Lauret e Vítor Crespo. Objectivo: concertar as sugestões da última lista de nomes para o Governo com António de Spínola. Decidiu-se pressionar este último no sentido de aceitar os nomes sugeridos pelo Movimento: Raul Rego, Miller Guerra e Pereira de Moura, propostos respectivamente por Vasco Gonçalves, Vítor Crespo e Almada Contreiras.


1974 
Abril, 15 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Conclusão do plano de operações do Movimento das Forças Armadas.


1974 
Abril, 16 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Início das reuniões de Otelo com delegados das unidades para distribuição das missões previstas no plano de operações (Unidades do Norte). Otelo Saraiva de Carvalho reúne-se com Eurico Corvacho e Gertrudes da Silva, aos quais distribui missões e fornece todos os elementos constantes da Ordem de Operações.


1974 
Abril, 17 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Otelo Saraiva de Carvalho encontra-se com Alexandre Aragão, representante do Movimento em Bissau, a quem informa do plano previsto e com quem combina uma alternativa de acção, caso o Movimento venha a falhar em Lisboa. A alternativa consistia na execução do plano já preparado pelo MFA da Guiné, que previa a neutralização de todos os comandos que se opunham ao Movimento e a abertura de negociações com o PAIGC vinte e quatro horas depois da acção em Portugal.


1974 
Abril, 18 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Reunião de Otelo com delegados das unidades do Centro e também com um delegado da Guiné, com quem combina uma acção alternativa do movimento, no caso de o golpe falhar em Lisboa.


1974 
Abril, 18 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Reunião de Otelo com delegados das unidades do Sul.


1974 
Abril, 19 
 

 
NATO.
Em Megeve (França), na reunião anual do Clube de Bilderberg - clube em que tomam assento os mais influentes representantes da alta finança mundial -, está presente, entre outros, Joseph Luns, secretário-geral da NATO. T er-se-á tomado conhecimento da iminência de alterações políticas em Portugal e decidido não contrariar a evolução dos acontecimentos, crendo que a mudança política poderia conduzir ao liberalismo económico. A presença de Luns nessa reunião poderá ter determinado o comportamento da NATO no «desenrolar do golpe militar de Lisboa».


1974 
Abril, 19 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Reunião de Otelo com os delegados das unidades de Lisboa.


1974 
Abril, 20 
 

 
MFA. Preparativos Políticos.
Completados os três textos políticos: Programa do Movimento das Forças Armadas, Protocolo Secreto a assinar pela Junta de Salvação Nacional QSN) e pelo MFA, o que não veio a ter lugar, e Proclamação do Movimento ao País.


1974 
Abril, 21 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Contactos do Movimento com elementos dos Emissores Associados de Lisboa e com a Rádio Renascença, para a transmissão de duas senhas através da rádio: «E depois do Adeus» de Paulo de Carvalho e «Grândola Vila Morena» de Zeca Afonso.


1974 
Abril, 22 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Junção do Anexo de Transmissões, elaborado por Garcia dos Santos, ao plano de operações do movimento militar.


1974 
Abril, 22 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
A partir das dezoito horas, Otelo Saraiva de Carvalho entrega aos elementos de ligação as «Instruções Finais» e o «Anexo de Transmissões», em envelopes fechados e dissimulados no jornal A Época, operação realizada no Parque Eduardo VII. Entrega ainda alguns emissores receptores, destinados a equipar as unidades que não dispunham de aparelhos apropriados para entrarem nas redes de transmissão previstas


1974 
Abril, 23 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Ao final da manhã, Álvaro Guerra, enviado por Almada Contreiras, encontra-se com Carlos Albino e comunica-lhe que o Movimento precisa de utilizar o programa «Limite», na madrugada do dia 25, para emitir o sinal de código para o desencadear das operações militares. O Movimento propõe a canção de José Afonso Venham mais cinco para funcionar como código. Carlos Albino sabe que essa é uma das músicas censuradas internamente na Rádio Renascença. Sugere outras alternativas, entre elas Grândola, Vila Morena


1974 
Abril, 23 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Distribuição das «Instruções finais para as equipas de ligação», que incluem a «Hora H» e a senha e contra senha, e do Anexo de Transmissões.


1974 
Abril, 23 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Ficam definitivamente assentes as «Instruções Finais para as Equipas de Ligação» que Neves Rosa se encarrega de dactilografar. Delas constam data e hora do início das operações (25 de Abril, às três horas da manhã), algumas alterações às missões anteriormente recebidas pelas unidades, senha e contra-senha a utilizar pelas forças intervenientes (inicialmente «Fé imensa na vitória» e «Garantia melhor futuro» passam, respectivamente, a «Coragem» e «Pela vitória») e ainda outras instruções transmitidas a algumas unidades


1974 
Abril, 23 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Reunião em casa de Vítor Crespo com a presença de vários oficiais da Armada. A Direcção do Movimento, aí representada por Otelo Saraiva de Carvalho e Vítor Alves , obteve a garantia da neutralidade dos Fuzileiros Navais.


1974 
Abril, 23 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Reunião no Regimento de Engenharia 1, na Pontinha, entre Otelo Saraiva de Carvalho, Garcia dos Santos e Jaime Neves. Fica pronto o Posto de Comando.


1974 
Abril, 23 
 

 
Preparativos para a transmissão da senha para início das operações.
Álvaro Guerra é o elemento de ligação com Carlos Albino (ambos jornalistas do diário República), a quem pede a transmissão da canção «Venham mais Cinco» no Limite de 25 de Abril. Carlos Albino pede a Álvaro Guerra para devolver a resposta de que tal canção estava proibida pela censura interna da Renascença embora a censura oficial a tolerasse. Sugeridas alternativas, entre as quais e à cabeça, a canção «Grândola».


1974 
Abril, 23 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
No início da manhã, Álvaro Guerra comunica a Carlos Albino a escolha definitiva da Grândola como senha nacional e a hora da sua transmissão no programa «Limite»: das 0h 20m para as 0h 22m. Carlos Albino contacta outro elemento da equipa do «Limite», Manuel Tomás. Por precaução e para evitar atrasos e imprevistos na emissão da senha, fazem todas as diligências necessárias à gravação de um alinhamento de programa com cerca de 10 minutos em que a leitura da primeira estrofe da Grândola aparecia ligada à leitura de outros textos. Pedem a um dos locutores habituais do «Limite», Leite de Vasconcelos, que grave esse alinhamento de textos, mas mantêm segredo sobre o verdadeiro destino dessa gravação.


1974 
Abril, 24 
 

 
MFA. Preparativos para a Acção.
Organização do posto de comando do MFA em Engenharia 1, na Pontinha.


1974 
Abril, 24 
 

 
N ATO.
Várias unidades da NATO (StaNavForLant) chegam ao porto de Lisboa alegadamente para tomarem parte nas manobras aero-navais «Down Patrol», programadas para o dia 26 no Mediterrâneo. A Fragata portuguesa Almirante Gago Coutinho integra a força.


1974 
Abril, 24 
 

 
Preparativos para a transmissão da senha para início das operações.
Álvaro Guerra novamente serve de elo de ligação de Almada Contreiras com Carlos Albino, a quem comunica a escolha definitiva de «Grândola Vila Morena» como senha para o movimento militar. Carlos Albino garante a transmissão, sem que qualquer outro elemento do Limite soubesse da decisão. Carlos Albino adquire na então Livraria Opinião, a Madeira Luís, o disco "Cantigas de Maio" para garantia, sabendo que os estúdios e escritórios do Limite poderiam ser devassados pela polícia política, a qualquer momento. Desde Dezembro de 1973, havia indícios de que a PIDE preparava o assalto dos escritórios do Limite, na Praça de Alvalade.


1974 
Abril, 24 
 

 
Preparativos para a transmissão da senha para início das operações.
Carlos Albino opta por chamar à colaboração o elemento da sua maior confiança no Limite e que era o responsável técnico e de sonoplastia, Manuel Tomás que adere por completo. Encontro decisivo com Manuel Tomás, para a execução da senha e garantia de transmissão contornando as duas censuras que o Limite enfrentava: a da Rádio Renascença e a oficial (um coronel que acompanhava as emissões em directo e visava previamente os textos). Carlos Albino e Manuel Tomás decidem sair dos estúdios para um local onde possam prosseguir com segurança o diálogo. Ajoelhados na Igreja de S. João de Brito e simulando rezar, Carlos Albino e Manuel Tomás combinam todos os pormenores técnicos da senha.


1974 
Abril, 24 
 


24 de Outubro de 2014
 

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